Filme, Resenhas
Comentários 12

Era elo, era pacto, era transa

Um nome de livro e de filme; um nome tão grande para uma revelação ainda maior. É claro que você sabe quem é a Camila Pitanga, mas nunca a viu como em Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios (Brasil, 2011). A atriz surpreende pela forma como se entrega a Lavínia, certamente a personagem mais densa de sua carreira até então. Seu magnetismo em cena é tão grande que, não fosse pela maestria com que Beto Brant e Renato Ciasca dirigiram a bela adaptação do livro homônimo de Marçal Aquino, eu poderia assumir uma metonímia e dizer que o filme é a própria Camila.

No interior do Pará, em meio a danças típicas e sorvetes de açaí, há um triângulo amoroso. O pastor Ernani (Zecarlos Machado) divide sua esposa com o fotógrafo Cauby (Gustavo Machado). No vértice está Lavínia, uma mulher dividida entre seus dois salvadores. Um acreditou na sua recuperação e a livrou de seu passado sofrido; o outro liberta-a, faz aflorar sua selvageria – na cama, no chuveiro, entre uma fotografia e outra. Conforme diz Marçal Aquino em seu livro, Lavínia é uma mulher com a qual todas as vezes são a primeira, e dois homens que dariam um dedo, dois, todos os ossos, para arrancar o vestido que ela usa.

CAMILA-PITPor trás de um drama de amor sustentado pela poesia das palavras, imagens e ações, é nítida a sintonia da equipe. A história é única. O roteiro, adaptado em conjunto pelo autor do livro e os diretores, é perfeito, mesmo que tenha deixado um pouco de lado as questões políticas presentes no livro. Os diálogos são cativantes. A fotografia é sustância até para olhos destreinados. Sem querer apelar para nacionalismos, é tão reconfortante assistir a algo tão bom produzido em território nacional, que um dos pensamentos que persistem na cabeça após o primeiro choque causado pela história é “eu quero fazer parte disso”.


*Texto originalmente publicado no blog LixeiraDourada, pelo qual estarei eternamente em luto.
** Fique ligado aqui no Literasutra e não perca a resenha do livro que deu origem ao filme! ❤

12 comentários

  1. Pingback: Um filme de pouca mobília e muito significado | literasutra

    • Ah, Kel, eu também tenho certo preconceito com cinema brasileiro, principalmente quando se trata de comédia. Mas bem, esse não é o caso. Já consegui fazer uma listinha de diretores dos quais eu gosto, posso passar pra você. 🙂 E combata o preconceito sim, é sempre bom. Não quer dizer que você vai passar a gostar, mas pelo menos vai se dar a chance de conhecer coisa nova, o que é sempre bom. E se gostar, bônus! Pode começar a acompanhar o trabalho do diretor/ roteirista/ ator. É o que eu to fazendo. Hahaha

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s