Literatura
Comentários 13

A derrocada da minha adolescência

A derrocada da minha adolescência começou com um evento bem peculiar. Pouco depois do ritual de encaixotamento de Barbies e antes da misteriosa e desajeitada descoberta do sexo, eu fui à Bienal do Livro.

O motivo óbvio, comprar livros. Não que eu não conhecesse o conceito de “livraria”, “banca de jornal” e “biblioteca da escola”. Mas comprar livros naquele labirinto de pavilhões abarrotados de gente sempre me pareceu especial, embora eu sempre acabasse nos stands das livrarias de sempre, comprando tudo com os preços de sempre – demorei um pouco para notar como isso era desvantajoso. Acontece que, desde que consegui um autógrafo do Pedro Bandeira, ainda durante a infância, meus horizontes se abriram e então eu percebi que o grande barato da Bienal do Livro era poder ter uma conversa assim com o seu atual escritor preferido:

– Senhor Pedro Bandeira, se qualquer livro dos Karas virar filme, eu posso ser a Magrí?
– É claro!

E é claro que eu pirei. Quando, anos depois, descobri pela programação do jornal que Meg Cabot, minha escritora preferida da adolescência (depois da JK Rowling), viria para o Rio de Janeiro, tratei de marcar a ida da família à Bienal para o mesmo dia. Vale ressaltar que eu não tinha intenção de perguntar se eu poderia ser a Mia Thermopolis no filme, porque era de conhecimento mundial que o papel da princesa já estava garantido por Anne Hathaway. Que pena.

Munida de tênis, garrafinha d’água e bloquinho de notas (eu já havia decidido ser jornalista e pretendia entrevistá-la), me dirigi ao local da palestra. Cheguei atrasada. Aconselhada pelo meu pai, fui andando de costas, na tentativa de enganar o segurança com ilusão de ótica – belo conselho, não funcionou. Só entrei depois de repetir oito vezes toda a minha história de amor com os livros da escritora. E apesar de ter chegado atrasada, ainda precisei esperar longos 10 minutos até que ela chegasse. E chegou. Vestida de princesa, com coroa na cabeça, acenando para as dezenas de adolescentes que gritavam e choravam enlouquecidas. E então eu só consegui pensar:

– Uma coroa na cabeça? Argh! Cara, quantos anos ela tem? Ai, que mico! Fala sério, sou adulta, né.

13 comentários

  1. Que texto incrível, Monalisa! Gostei de mais!! Engraçado quando a gente deseja tanto uma coisa e depois acaba vendo que não era bem isso, né?
    Segunda feira consegui um autógrafo com o Maurício de Souza e MEU DEUS, eu sempre quis conhecê-lo. Mas na hora, sentada ali do lado dele, eu não conseguia pensar em nada pra dizer, só conseguia sorrir. Só depois que sai de lá que percebi que podia ter contato que me chamam de Magali ou mesmo ter dado um super abraço nele. Acontece. :/ haha

    Beeeeijo!
    http://www.pitadadecultura.com/

    Curtir

    • Ai, Gabi! Eu SEMPRE esqueço o que eu gostaria de dizer aos meus ídolos quando os encontro. O dia em que eu ficar frente a frente com o Maurício de Souza vou implorar de joelhos pra ele reabrir o Parque da Mônica. Ai, como eu queria! ❤

      Curtir

  2. Oi Mona!
    Você é muito gênio, seus textos são incríveis. Me diverti com esse, li três vezes e ainda estou dando sorrisinhos aqui, queria mais uns 10 parágrafos haha.
    Beijoss

    trapoliterario.blogspot.com.br

    Curtir

  3. Amei o post, Monalisa!! Haha, essa suas aventuras dariam um livro! Gosto muito de posts assim, onde as pessoas contam um pouquinho de sua história. Acho muito divertido, rs
    Fiquei imaginando a cara que a Kiera iria fazer se eu pedisse pra ser a America na trilogia A Seleção (que merece muuuuito virar filme! Já leu?)… Tadinha de mim kkkk
    Quanto à parceria, eu preciso de um pequeno banner, né? rsrs. Vou providenciar e já te mando. E me mande o seu também, é claro! (Primeira parceira do blog, que emoção!) 😀

    Curtir

  4. Monalisaaaa, que divertido teu post! Sério, uma pena que acabou tão rápido, tuas aventuras de Bienal do Livro foram divertidíssimas. Tive poucos segundos junto com a Cassandra Clare, por causa da desorganização dos organizadores do evento, mas também percebi que o melhor da Bienal é ter esses momentos preciosos junto ao autor. Não consegui nenhuma promessa de papel em filme (pena!), mas ninguém tira da minha memória os meus 2.6 segundos junto com a Cassie.
    Beijão e ótima semana!

    http://confissoesdeumleitor.wordpress.com/

    Curtir

    • Hahahaha! Esses momentos são mágicos
      Liah, tive uma ideia: Manda uma carta (ou email, já que hoje em dia só os bancos mandam cartas) pra Cassandra Clare, e garante logo o seu papel no filme! 😉

      Curtir

      • Sim, são mágicos mesmo. Algumas pessoas comentaram que o autógrafo dela parece um rabisco e pode até parecer, mas não é só o rabisco no livro, e sim aquele momento cara a cara. E opa, preciso descobrir para ontem o email da Cassandra, não posso ficar de fora do filme, hahaha!
        Beijos 🙂

        Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s