Filme, Resenhas
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Murakami na tela

“And when I awoke
I was alone
This bird has flown”
Norwegian Wood, The Beatles

Dois dias depois de ler Norgewian Wood, flagrei sua versão cinematográfica na televisão. Mas só a assisti recentemente, quando a melancolia que me atingiu ao final do livro já havia se dissipado por completo – sentimento que  “Como na canção dos Beatles: Norwegian Wood” (“Noruwei no mori”, Japão, 2010) me trouxe inteiramente de volta, aliás.

Pôster e fotos do filme no final do texto!

Tanto o longa quanto o livro nos apresentam o ponto de vista do jovem Toru Watanabe (Ken’ichi Matsuyama). E esse personagem apagado, fechado para o mundo exterior, nos contamina. Aos 20 anos, vivendo em meio a um Japão dos anos 60 que fervilha em manifestações, Watanabe está mais concentrado em seus profundos questionamentos; resquício da tragédia que marcou o fim de sua adolescência: o suicídio de seu melhor amigo, Kidzuki (Kengo Kôra), que também imprimiu sequelas em sua namorada Naoko (Rinko Kikuchi).

Para a grande fã de Murakami que sou, posso dizer que Norwegian Wood foge da tão conhecida maldição das adaptações. No entanto, acaba falhando na caracterização dos personagens. Toda a efusividade contagiante de Midori, por exemplo, a adaptação resume a pálidas aparições, ainda que a atriz que a interprete seja a fofa Kiko Mizuhara – uma excelente escolha, aliás. Enquanto isso, a história de Reiko (Reika Kirishima), amiga de Naoko, sequer chega a ser contada.

O filme orientalizou o que minha imaginação fez o desfavor de ocidentalizar. Ele me trouxe mais que somente olhos puxados: inseriu cartas escritas em colunas da direita para a esquerda, acrescentou cenários até então desconhecidos para mim. A narrativa pausada, de ritmo que paira no ar, amparado na aflição de quem assiste, se faz presente exatamente como no livro de Murakami.

Guiada pelo olhar do diretor vietnamita Tran Anh Hung, percebi como as palavras, por estarem sujeitas à imaginação, têm o poder de amenizar situações drásticas. Mesmo que evoquem imagens devastadoras, a mente teima em proteger-nos do baque e se recusa a formar a cena com clareza. Quando transposta para a tela, no entanto, principalmente com a linguagem proposta pelo diretor, a única coisa capaz de nos salvar do baque é fechar os olhos.

Esse filme é a adaptação de um livro. Clique aqui para saber mais!

Confira o pôster e algumas cenas de “Norwegian Wood”:

Este post foi publicado em: Filme, Resenhas

por

Espécime da safra de 89. Recentemente descobriu que não consegue escolher uma coisa só, então alterna a vida profissional entre as funções de jornalista e fotógrafa. Criou o projeto fotográfico "Uma Pessoa Por Dia", onde consegue mesclar as duas coisas.

2 comentários

    • Hahahah! Que maneiro, Carol! 😄
      Leia o livro antes, o livro é melhor do que o filme no que se refere à construção e apresentação das personagens. Além de que se você assistir o filme antes, corre o risco de se irritar com a ritmo mais lento e desistir logo de cara. Já tendo lido o livro e se apaixonado, o filme fica melhor.

      Curtir

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