Literatura
Comentários 2

Anáfora e Anacoluto

Anáfora era solteira, mas não por opção. Desde os 15 anos, sua metáfora era perder a zeugma, mas ela nunca conseguira.

Era escritora. Juntava polissíndetos e perífrases o dia todo, e assim formava prosopopeias. “Por isso não tenho tempo para solecismos”, ela justificava, mas todos sabiam que era puro pretexto.
Anáfora era cheirosa, mas era fronha. Todos gostavam de ler suas prosopopeias, mas quando ela falava, os mais sensíveis chegavam a ter ataques de silepse.
Um dia chegou à cidade um cara meio surdo. Anacoluto. Fora expulso de Cadarço sob a alegação de ter se negado a fazer a catacrese, mas a verdade é que ninguém gostava deve porque era cacófato.
Anacoluto era médico e rico; abriu uma clínica.
Anáfora foi fazer exame de assonância magnética.

– T-tire os obje-jetos m-metálicos e p-pontiagudos, p-p-p-por favor.
– Brondinho, já direi.

Foi amor à primeira vista. Anacoluto fez metonímia, e Anáfora perdeu a zeugma.
Os dois se casaram, e hoje vivem em perfeita sinestesia.

Este post foi publicado em: Literatura
Etiquetado como: , ,

por

Espécime da safra de 89. Recentemente descobriu que não consegue escolher uma coisa só, então alterna a vida profissional entre as funções de jornalista e fotógrafa. Criou o projeto fotográfico "Uma Pessoa Por Dia", onde consegue mesclar as duas coisas.

2 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s