Filme, Resenhas
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Um grande filme sobre um grande hotel

“É um engano muito comum, as pessoas acharem que a imaginação de um escritor está sempre a trabalho, que está constantemente inventando um suprimento infinito de casos e incidentes, que ele simplesmente tira suas histórias do nada. A bem da verdade, é ao contrário. Quando descobrem que você é escritor, trazem personagens e eventos até você, e se você mantiver a habilidade de observar e ouvir com atenção, as histórias vão continuar a procurá-lo a vida inteira”.

Eis a citação de um escritor sem nome, um personagem fictício criado pelo cineasta Wes Anderson sob a influência de dois livros de um escritor real. “Cuidado da Piedade” e “Êxtase da Transformação”, do austríaco Stefan Zweig, têm grande participação no mais recente longa-metragem de Anderson, “O Grande Hotel Budapeste” (“The Grand Budapest Hotel”, EUA, 2014).

O filme é como um conjunto de matrioskas, as bonequinhas russas: uma história dentro de outra história, e assim por diante. Um escritor conta sobre a época em que, quando jovem, fez check-in no Grande Hotel Budapeste. Outrora um chamariz de turistas, hoje o lugar passa por longa fase decadente. Um cenário economicamente desolador, mas perfeito para um escritor em fase de convalescença – assim como a maioria dos intelectuais seus contemporâneos, ele sofre de “febre do escriba”.

Durante a estadia, ele conhece o dono do estabelecimento, “um senhor bem vestido, de rosto inteligente”. Algumas trocas de elogio depois, o homem o convida para um jantar sob o pretexto de lhe contar como tornou-se dono do hotel. E assim começa a história de Zero, um mensageiro que ganhou a confiança do maior concierge que já se viu na história: monsieur Gustave.

O filme de Wes Anderson é uma obra de arte espirituosa, do tipo que prende desde os primeiros segundos e provoca um sentimento de estar presenciando algo grandioso. Num hipotético jogo de uma palavra só, se alguém me perguntasse “Grande Hotel Budapeste?”, eu responderia: “Impecável”, ao conjunto da obra e a cada mínimo detalhe seu. Aliás, destacando um desses detalhes, a caracterização dos personagens é impressionante: Tilda Swinton estaria irreconhecível como a carente Madame D, não fosse pelo seu talento identificável a quilômetros de distância.

O pôster em inglês (o mais bonito de todos) e algumas cenas do filme:

Este post foi publicado em: Filme, Resenhas

por

Espécime da safra de 89. Recentemente descobriu que não consegue escolher uma coisa só, então alterna a vida profissional entre as funções de jornalista e fotógrafa. Criou o projeto fotográfico "Uma Pessoa Por Dia", onde consegue mesclar as duas coisas.

11 comentários

  1. “O filme é como um conjunto de matrioskas, as bonequinhas russas: uma história dentro de outra história, e assim por diante”. Amo matrioskas, queria ter sido eu a escrever essa frase. Você me inspira!

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    • Kel, sua amiga é que está viajando! O filme é pura obra de arte. Não deixe de assisti-lo só por causa da opinião dela, porque você vai perder a chance de conferir com os seus próprios olhos. Aliás, o que significa ser “muita viagem”? Quem não quer viagem, assiste documentário. 😉

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  2. Oii Mona!
    Sabe que estou passando por uma fase sem filmes? Não sei o que acontece, mas já faz mais de mês que não assisto a um filme novo. Essa semana decidi que até domingo eu PRECISO assistir pelo menos um filme novo, porque tem váaarios na minha lista.
    Adorei as cenas que você escolheu. As cores gritam por nossa atenção, né? Juro que vou tentar assistir esse filme ainda essa semana. Depois te conto se consegui!

    Beijo,
    http://www.pitadadecultura.com

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  3. Ai meu Deus, Mona, o que é o elenco desse filme? D: Vi o post aqui e fiquei mega curiosa, não pensei duas vezes antes de procurar o trailer no youtube. E caramba, parece ser formidável! Amei as cores vibrantes e a caracterização dos personagens, tudo realmente parece impecável. Tenho que achar um espacinho para assistir a esse filme assim que possível :3

    Beijos e ótima semana!
    http://confissoesdeumleitor.wordpress.com/

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