Mês: maio 2015

Apenas um canal fantasma

Ainda não é chegado o halloween, mas nós não somos do tipo que se rende aos impulsos consumistas de uma data comemorativa, não é mesmo? Pois então, dia de fantasma é todo dia! Então, sem mais delongas, apresento-lhes o canal fantasma! ❤ Pois é, não vamos deixar o fantasminha triste: Inscreva-se no canal para fazer companhia para ele! E se isto não for suficientemente convincente para você, aqui vai outro motivo: O canal estreará com várias promoções sensacionais de livros! Vem cá! 🙂 Anúncios

Coletando pistas em memórias

Aos 10 anos Patrick e seu irmão foram deixados sob os cuidados de três amigas de sua mãe. Filhos de uma atriz em constantes turnês e um comerciante judeu dado a negócios aparentemente ilegais, os meninos então são inseridos em uma nova realidade: Uma rotina provinciana na França após a Segunda Guerra Mundial. E assim conhecem novas pessoas, novos lugares e deparam-se com acontecimentos históricos – tudo sob o olhar fantasioso e literal típico da infância. – E vou logo avisando: os protestantes vêem tudo! Nada se pode esconder deles! Os protestantes não têm apenas dois olhos! Também têm outro atrás da cabeça! Entendeu? Ela me apontava o coque. – Entendeu, imbecil afortunado? Um olho atrás da cabeça! Desde então, nós, meu irmão e eu, sentíamo-nos incomodados em sua presença, sobretudo quando passávamos por trás dela. Demorei muito a entender que os protestantes eram iguais a todo mundo e a não trocar de calçada toda vez que encontrava um. (pág. 102) “Remissão da Pena” é o primeiro volume do que chamam de ‘A Trilogia Essencial’ …

Nova parceria: “Lavínia – No Limite”

A jornalista Nathalia Alvitos é mais nova parceira do Literasutra. “Lavínia – No Limite” é sua estreia no mundo literário. A história é protagonizada pela personagem que lhe dá título, uma jovem de 25 anos diagnosticada com síndrome de borderline. Enquanto a resenha não chega aqui no blog, fique com o release do livro: Faz tempo que a solidão não é um sentimento exclusivo das pessoas mais velhas. Com o avanço da tecnologia, das redes sociais e aplicativos, o efeito nas pessoas é de isolamento, ao invés de socialização.  A solidão anda em passos lentos, chega, de mansinho, como quem não quer nada e, de repente, lá está. Uma solidão angustiante, um vazio que leva as pessoas a fugirem de si próprias. Assim é Lavínia, uma mulher que poderia ter tudo na vida. Jovem, 25 anos, rica, bonita, mas não aceita rótulos.  Tem repulsa pelas pessoas que não a compreendem e, ao mesmo tempo, necessita de carinho, abraços e atenção. Encontra conforto quando fica só. Desde que perdeu seus pais em um acidente, ficou sem chão, sem rumo, e o único irmão tornou-se motivo …

17 dias sem dormir

“Do ponto de vista prático, não há nada de errado comigo, a não ser o fato de não dormir” (pág. 12) Suponhamos que você não conseguisse mais dormir. Não que se tratasse de um caso comum de insônia, mas simplesmente uma ausência completa de sono. Considerando que antes você dormia por exatamente o tempo normal recomendado de 8 horas por noite, agora você tem mais 8 horas diárias disponíveis para fazer o que quiser. Eis a situação da personagem de “Sono”, uma mulher já casada e com filho, a qual poderia-se dizer que é comum, não fosse pela onipresença do estado de alerta.  “Até então, eu consumia um terço do dia numa atividade denominada dormir; o que eles chamam de “tratamento para esfriar o motor”. Mas, agora, um terço da minha vida passou a me pertencer. (…) Posso usá-lo do jeito que bem entender. (…) Isso sim significa expandir a vida. Eu havia ampliado a minha vida em um terço” (pág. 84) Com tanto tempo livre e exclusivamente seu, esta mulher simplesmente lê. Um hábito tão básico, que …

MonoLAB: Pequenas doses mensais de arte

Adepta das doses homeopáticas, a editora Monotipia (responsável pela revista online de mesmo nome) acaba de criar o MonoLAB: uma série de quadrinhos autorais e inéditos que qualquer pessoa pode ler de graça. Serão várias HQs, cada uma com um total de 28 páginas, publicadas aos poucos nas edições da revista (que vai ao ar às segundas segundas-feira de todo mês). “A Monotipia sempre esteve e sempre estará aberta para novos autores”, explica Martins de Castro, editor da revista, em entrevista concedida ao Terra Zero. “Mas, ainda em 2012, senti a necessidade de ter mais trabalhos autorais com mais frequência. Desde então foram quatro anos observando e experimentando, e agora finalmente cheguei ao formato que julgo ser o mais adequado para a leitura de quadrinhos na Monotipia: Via streaming, com um formato de tela confortável e cuja produção não atrapalhe os outros projetos dos autores”, ele conta. Serão várias “rodadas” de histórias, digamos assim. Nesta primeira estão “Jihanki Battle”, de Rodrigo Solsona, “Violeta Genciana”, de Murilo Souza e “Tamasha e o fim do mundo”, de Octávio Aragão (roteiro) e Mika …

A ficção autobiográfica de Chico Buarque

“E eu que nunca morri de amores por aquele irmão, eu que o teria trocado por um irmão alemão sem pestanejar, passei a me inquietar com a ameaça de ficar sem irmão nenhum” (pág. 160) Chico Buarque escreveu sua autobiografia recheada de episódios ficcionais. Espécie de romance baseado em fatos reais, recortado pela descoberta e consequente busca de um suposto irmão bastardo nascido na Alemanha, permeado de história mundial e brasileira. E mais: “O Irmão Alemão”, o mais recente livro de Chico, apresenta aos seus leitores uma verdadeira declaração de amor aos livros: “Até então, para mim, paredes eram feitas de livros, sem o seu suporte desabariam casas como a minha, que até no banheiro e na cozinha tinha estantes do teto ao chão. E era nos livros que eu me escorava, desde muito pequeno, nos momentos de perigo real ou imaginário, como ainda hoje nas alturas grudo as costas na parede ao sentir vertigem. E quando não havia ninguém por perto, eu passava horas a andar de lado rente às estantes, sentia certo prazer em …

Azul, Vermelho, Branca, Preta e Tsukuru

Naquele grupo de cinco, em meio a tantas cores, há alguém que se destaca. Como em um exercício bobo de lógica, não é difícil perceber que Tsukuru é o único incolor: Todos os outros tem apelidos coloridos, provenientes de seus sobrenomes. Vermelho, Azul, Branca, Preta e Tsukuru, os cinco amigos inseparáveis, uma pequena comunidade perfeita, e mesmo ali ele sempre se sentiu meio deslocado. Mesmo assim foi impossível não se surpreender quando, misteriosamente e sem justificativa nenhuma, os outros quatro o expulsaram do grupo. E até hoje, 16 anos depois, Tsukuru vive os efeitos colaterais. “É curioso; parece que, mesmo em uma vida aparentemente pacata e consistente, sempre há um período de grande colapso. Um período para enlouquecer, talvez possamos dizer. As pessoas devem precisar de um marco como esse na vida” (Pág. 71) Fazendo jus ao título, “O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação” conta a história de um personagem só – permitindo-se pinceladas em alguns outros personagens, porque nenhuma história é tão independente a ponto de não envolver outras. E, bem, independência certamente não …