Livro, Resenhas
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Azul, Vermelho, Branca, Preta e Tsukuru

Naquele grupo de cinco, em meio a tantas cores, há alguém que se destaca. Como em um exercício bobo de lógica, não é difícil perceber que Tsukuru é o único incolor: Todos os outros tem apelidos coloridos, provenientes de seus sobrenomes. Vermelho, Azul, Branca, Preta e Tsukuru, os cinco amigos inseparáveis, uma pequena comunidade perfeita, e mesmo ali ele sempre se sentiu meio deslocado. Mesmo assim foi impossível não se surpreender quando, misteriosamente e sem justificativa nenhuma, os outros quatro o expulsaram do grupo. E até hoje, 16 anos depois, Tsukuru vive os efeitos colaterais.

“É curioso; parece que, mesmo em uma vida aparentemente pacata e consistente, sempre há um período de grande colapso. Um período para enlouquecer, talvez possamos dizer. As pessoas devem precisar de um marco como esse na vida” (Pág. 71)

Fazendo jus ao título, “O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação” conta a história de um personagem só – permitindo-se pinceladas em alguns outros personagens, porque nenhuma história é tão independente a ponto de não envolver outras. E, bem, independência certamente não é o forte de Tsukuru, pelo menos não a psicológica. Traumatizado pela exclusão repentina do grupo ao qual pertencia durante a infância e pré-adolescência, o jovem rapaz japonês torna-se um adulto um tanto inseguro.

“Dentro de mim deve haver algo fundamental que decepciona as pessoas. ‘Incolor Tsukuru Tazaki’, ele disse em voz alta. No final das contas, eu provavelmente não tenho nada a oferecer aos outros. Não, se eu analisar bem, talvez não possua nada para oferecer a mim mesmo” (Pág. 115)

A narrativa se alterna entre passado e presente, coisa que o autor faz sempre com maestria. A passagem é sutil, conduzida pelos pensamentos e lembranças do já adulto Tsukuru. (No entanto, este não chega a ser um romance psicológico). Do início ao fim, todo o livro é uma grande construção de personagem. Embora as primeiras páginas já ofereçam sólida ideia de quem se trata Tsukuru e em qual contexto se insere, ao final do livro ele já não é o mesmo do início (nem do meio), está completamente reconstruído. Talvez um karma gerado no momento de batismo: “Tsukuru”, em japonês, significa “aquele que constrói”.

“O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação” é uma história de amadurecimento e pertencimento, é sobre encontrar seu próprio lugar no mundo. Escrito com fórmula invencível de sempre de Haruki Murakami, é um ótimo livro tanto para quem já é fã do autor japonês quanto para quem pretende dar o primeiro passo. Resumindo: É para quem gosta de histórias que prendem, com certa dose de mistério, personagens inesquecíveis e zero clichês.

Clique aqui e leia o primeiro capítulo do livro

Tsukuru Tazaki Haruki MurakamiTítulo: “O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação”
Autor: Haruki Murakami
Editora: Alfaguara
Tradução: Eunice Suenaga
Páginas: 328
Sinopse: O Incolor Tsukuru Tazaki e Seus Anos de Peregrinação – Haruki Murakami é um fenômeno. Com mais de 1 milhão de exemplares vendidos no Japão na semana em que foi lançado, e atingindo o primeiro lugar das listas de mais vendidos ao redor do mundo, seu novo livro o coloca entre os grandes autores da atualidade.
Tsukuru Tazaki é um homem solitário, perseguido pelo passado. Na época da escola, morava com a família em Nagoya e tinha quatro amigos inseparáveis. Agora, vive em Tóquio, onde trabalha no projeto e na construção de estações de trem e namora uma mulher dois anos mais velha. Mas não se esquece de um trauma sofrido dezesseis anos antes: inexplicavelmente, foi expulso do grupo de amigos, e nunca mais os viu. Agora, ele decide revisitar o passado e reencontrá-los, para saber um pouco mais de cada um e de si mesmo. Sua jornada o levará a locais distantes, numa transformação espiritual na busca pela verdade.
O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação é um livro emocionante sobre a busca de identidade. É uma história sobre pessoas perdidas, que lutam para lidar com o desconhecido e aceitá-lo de algum modo. Como cada um de nós.

29 comentários

  1. Oi Monalisa tudo bem ?

    Morro de vontade de ler outros livros do Murakami dele já li 1Q84 e gostei muito da narrativa do autor, tudo bem que o último volume não me agradou muito e por isso eu acabei desanimando de ler outros livros dele, e ler sua resenha foi ótimo para tirar esse receio e tentar fazer isso logo.

    Beijos

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    • Oi, Andressa! Engraçado, o último livro de 1Q84 também não me agradou muito, cheguei a pensar que foi porque o li em inglês (sendo que os dois primeiros li em português). Inclusive estou querendo lê-los novamente (dessa vez todos em português), antes de tirar conclusões. Muito bom saber que você achou a mesma coisa! 🙂

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