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17 dias sem dormir

“Do ponto de vista prático, não há nada de errado comigo, a não ser o fato de não dormir” (pág. 12)

Suponhamos que você não conseguisse mais dormir. Não que se tratasse de um caso comum de insônia, mas simplesmente uma ausência completa de sono. Considerando que antes você dormia por exatamente o tempo normal recomendado de 8 horas por noite, agora você tem mais 8 horas diárias disponíveis para fazer o que quiser. Eis a situação da personagem de “Sono”, uma mulher já casada e com filho, a qual poderia-se dizer que é comum, não fosse pela onipresença do estado de alerta.

 “Até então, eu consumia um terço do dia numa atividade denominada dormir; o que eles chamam de “tratamento para esfriar o motor”. Mas, agora, um terço da minha vida passou a me pertencer. (…) Posso usá-lo do jeito que bem entender. (…) Isso sim significa expandir a vida. Eu havia ampliado a minha vida em um terço” (pág. 84)

Com tanto tempo livre e exclusivamente seu, esta mulher simplesmente lê. Um hábito tão básico, que durante toda a sua vida fora sua maior característica e que acabou se perdendo entre as obrigações da vida adulta. Sem a necessidade de dormir, a personagem ganha o tempo do sono em outra moeda, a leitura. E assim relê Anna Karenina, romance de Tolstói que marcara sua adolescência. Lê Anna Karenina, todas as suas 864 páginas, uma, duas três vezes, e ninguém se dá conta de que ela já não dorme mais.

“Após ler mais da metade do primeiro volume, encontrei um pedacinho de chocolate grudado numa das páginas. Ele estava seco e todo fragmentado. Quando estava no ensino médio, eu devia ter lido aquele livro comendo chocolate. Eu adorava ler livros comendo alguma coisa. Por falar nisso, depois que me casei praticamente deixei de comer chocolate. Talvez pelo fato de meu marido não gostar de doces. Dificilmente oferecemos doces para o nosso filho. Por isso, não temos nenhum tipo de doce em casa” (pág. 56)

Até então inédito no Brasil, a obra é um conto do escritor japonês Haruki Murakami, trazido pelo selo Alfaguara, da Editora Objetiva. Com capa dura e ilustrações belíssimas de Kat Menschik, a edição é de fazer babar qualquer amante de livros. Como é de praxe nos Murakamis traduzidos para o português, o grande atrativo fica por conta da capacidade imaginativa do autor. Partindo de uma situação simples (a perda do sono), a narrativa mergulha nos questionamentos da personagem. E a escrita é tão sedutora, que nos faz emendar uma página na outra em um ritmo frenético, parando apenas para admirar as ilustrações.

Clique aqui e leia o primeiro capítulo do livro!

Capa Sono.inddTítulo original: “Nemuri”
Autor: Haruki Murakami
Tradutora: Lica Hashimoto
Editora: Objetiva (selo Alfaguara)
Páginas: 120
Sinopse: “Sono” é um conto inédito no Brasil de Haruki Murakami, considerado um dos autores mais importantes da atual literatura japonesa.
“É o décimo sétimo dia que não consigo dormir.”
Ela era uma mulher com uma vida normal. Tinha um marido normal. Um filho normal. Ela até podia detectar algumas fissuras nessa vida aparentemente perfeita, mas nunca chegou a pensar seriamente nelas. Até o dia em que deixou de dormir. Então o mundo se revelou. Um mundo duplo de sombras e silêncio; um mundo onde nada é o que parece. E onde ela não pode mais fechar os olhos.

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Espécime da safra de 89. Recentemente descobriu que não consegue escolher uma coisa só, então alterna a vida profissional entre as funções de jornalista e fotógrafa. Criou o projeto fotográfico "Uma Pessoa Por Dia", onde consegue mesclar as duas coisas.

33 comentários

  1. Muito interessante a história do livro, fiquei muito curiosa, pois atualmente, estou tendo uma dificuldade para dormir e acabo sempre lendo para compensar, rs. Gostei de saber que a personagem passa esse tipo de “insônia” e fiquei curiosa com os questionamentos dela, espero pode ler em breve, realmente gostei de conhecer esse livro, bem diferente!

    http://www.daimaginacaoaescrita.com

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  2. Caroline Freitas diz

    Oi, tudo bem?
    Deus me livre não conseguir dormir. Amo dormir. Faço muito, principalmente
    nos finais de semana. Mas por um lado seria bom, ler nessas horas mais.
    Gostei bastante da ideia do livro, não conhecia, quem sabe eu o adquira futuramente. Tenho muitos pra ler, rs.
    Beijos!

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  3. Olá Mona (intimidade, ok). Como vai?
    Confesso que achei a premissa muito diferente e encantadora. Não consigo imaginar uma pessoa que não consegue dormir a noite, mas deve ser maravilhoso pelo fato da personagem ler. Fico feliz que tenha sido uma leitura gostosa de ler e quem sabe dou uma oportunidade.
    A capa é maravilhosa.
    Beijos, sucesso.

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