Experimentos, Literatura
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Breve ensaio sobre tpm

Tenho a impressão de que as decisões mais importantes da minha vida são tomadas durante a tpm, e isso diz muito sobre mim.

Eu me demito, eu me declaro, eu saio de casa sem rumo, eu penso em me matar.

E choro convulsivamente a morte das pessoas queridas, a morte futura das pessoas queridas, a sujeira impregnada das pessoas de rua. A ponto de fingir que estou gripada pra ninguém achar que estou chorando de verdade.

Durante a tpm eu viro outra mulher.

Eu sinto coisas que não são minhas, mas que na verdade são e eu tenho certo medo de admitir. Eu sinto tudo sob lente de aumento, com intensidade à la Artaud, acordo no meio da noite com medo de eletrodos.

Durante a tpm eu me mato e no momento seguinte sei que sou a pessoa mais feliz do mundo.

Ilustração: Esra Roise

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Espécime da safra de 89. Recentemente descobriu que não consegue escolher uma coisa só, então alterna a vida profissional entre as funções de jornalista e fotógrafa. Criou o projeto fotográfico "Uma Pessoa Por Dia", onde consegue mesclar as duas coisas.

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