Experimentos, Literatura
Comentários 25

Travesseiro de Gueixa

A primeira vez em que lhe perguntaram o que seria quando crescesse, ficou com cara de boba sem saber o que dizer. Dois dias depois disso, assistindo a um filme escondida atrás do sofá, foi apresentada a um mundo completamente novo. Samurais, mulheres de roupas coloridas e maquiagem engraçada, e então se decidiu: Quando crescesse, ela seria gueixa. Esperou por muito tempo até que alguém fizesse de novo a pergunta. Semanas, meses se passaram, e ela se deu conta de que comunicar sua decisão ao mundo não seria o bastante. Não bastava dizer que seria, era preciso ser de fato.

Empurrou uma cadeira até a estante da sala, alcançou a prateleira onde um livro grosso indicava as letras G-H. Era ali que o avô procurava quando não conseguia responder a alguma pergunta. Muito pesado, o volume escapou-lhe da mão e quase lhe atingiu a cabeça, mas com sorte foi cair sobre o tapete, que tratou de abafar o som. Ali mesmo, a mãe demoraria a voltar do mercado e o gato não se importava muito com o que ela fazia, ali mesmo abriu o livro e passou página por página até chegar ao que queria, uma seção inteira, acompanhada de foto e algumas instruções em letras bem pequenas (era um livro todo de letras bem pequenas). Agora bastava praticar.

“Gueixa, Geiko ou Gueigi são mulheres japonesas que estudam a tradição milenar da arte, dança e canto e se caracterizam distintamente pelos trajes e maquiagem tradicionais”.

Imagine qual foi a surpresa da mãe, os sacos de compra caindo no chão ao ver a filha com o rosto branco de farinha, batom vermelho errando o contorno da boca, e o principal: Deitada, o corpo absurdamente reto, a cabeça sobre uma das canecas de porcelana herdadas da sogra.

– O que é isso?
– Travesseiro de gueixa, mãe.

Não levou muito tempo para a menina limpar os restos de farinha do tapete, e a caneca voltou intacta para o armário. Mas a cara da mãe ao entrar na sala foi o suficiente para que ela decidisse: Encontraria outra coisa; não tinha muito talento para gueixa.


 

Esse é o resultado de um dos exercícios propostos pelo Ninho de Escritores. Ele visa o desbloqueio da criatividade, e foi muito divertido fazê-lo! Tão divertido, que pretendo repetir. Seguem as instruções:

Escolha um objeto cotidiano. Não consegue pensar em nada? Olha ao redor, escolhe algo que tu esteja vendo. Cama. Lençol. Carteira. Livro. Mesa. Notebook. Agora faz uma lista com pelo menos 10 usos alternativos para esse objeto, usos que vão além de seu propósito original.

Pronto? Escreve uma história com o uso número 9.

Eu escolhi uma caneca, a simpática caneca da foto abaixo. Aqui vão os usos alternativos que encontrei para ela:

Caneca Turma da Mônica1. Peso de porta
2. Armadilha para pegar ladrão
3. Testador de equilíbrio
4. Capacete de duende
5. Pandeiro
6. Molde para círculo perfeito
8. Amassador de alho
9. Travesseiro de gueixa
10. Segurador de páginas de livro

Clique aqui e confira o post original no blog do Ninho.

 

Este post foi publicado em: Experimentos, Literatura
Etiquetado como:

por

Espécime da safra de 89. Recentemente descobriu que não consegue escolher uma coisa só, então alterna a vida profissional entre as funções de jornalista e fotógrafa. Criou o projeto fotográfico "Uma Pessoa Por Dia", onde consegue mesclar as duas coisas.

25 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s