Livro, Resenhas
Comentários 27

Uma surpresa a cada oito páginas

Em um universo distópico, no qual o mundo foi tomado por toxinas que matam em poucos minutos, a humanidade se resume às pessoas que vivem dentro de um enorme silo subterrâneo de 144 andares. Centenas de pessoas confinadas para sempre, a não ser que se cometa o crime mais grave de todos: mencionar o mundo exterior.

“Mesmo assim, quando comparada com o silo sufocante, aquela vista cinzenta e enlameada parecia uma espécie de salvação, o tipo de ar livre que os homens tinham nascido para respirar.”

A regra é simples: Quem expressa mínima curiosidade sobre o que existe lá fora acaba ganhando um passe só de ida. O criminoso é enviado para a “limpeza”, espécie de pena de morte na qual a pessoa é exilada no exterior  com a única responsabilidade de limpar as lentes das câmeras que, posicionadas no topo do silo, transmitem imagens do mundo lá fora para os habitantes lá de dentro. Curiosamente, por gerações e gerações, todos os que receberam a sentença a cumpriram devidamente, mesmo que tenham passado suas últimas horas no silo deixando bem claro que não fariam nada. Eis um dos mistérios do universo criado pelo norte-americano Hugh Howey, autor de “Silo”.

Primeiro volume de uma trilogia, o livro merece, de fato, toda a atenção que tem recebido. No que se refere a escrever narrativas viciantes, o autor é mesmo muito bom. Coisas acontecem o tempo todo, e os personagens são muito cativantes, do tipo que se torna bem fácil criar empatia. Apesar de algumas frases-clichê, que incomodam mas não estragam a experiência da leitura, a narrativa em si é construída no intuito de sempre surpreender. Ou seja, expectativas são quebradas constantemente durante a leitura, o que confere um ritmo delicioso.

– Acho que o que quero dizer é que, se forem dar um trabalho para Jules, tenham muito cuidado.
– Por quê? – perguntou Marnes.
Marck ergueu os olhos para a confusão de canos e fios no alto.
– Porque ela vai fazer o trabalho. Mesmo que vocês na verdade não esperem que faça.

Já no que se refere ao trabalho editorial, este deixa um pouco a desejar. Com destaque para a revisão, que deixou passar vários erros de português (além de alguns bem risíveis, do tipo trocar “queixo” por “queijo”). É lamentável ser desconectado de uma história por causa de uma falha dessas.

silo erro revisão

No mais, a história é muito boa, grande merecedora de leitura. Agradeço à Raquel Araujo, do blog Por Uma Boa Leitura, que me presenteou com o livro! ❤ Quem acompanha o Literasutra no Instagram e Facebook já sabe que me viciei completamente: Fui correndo comprar “Ordem”, o segundo livro da trilogia, logo depois de terminar o primeiro.

Curiosidade: Antes de virar trilogia, “Silo” era apenas um conto, lançado na Amazon como um e-book pelo próprio autor. O sucesso foi tão grande e tantos fãs pediram por continuações, que Hugh Howey arregaçou as mangas atendeu aos pedidos.

Clique aqui e leia o primeiro capítulo de graça!

Silo Hugh HoweyTítulo original: “Whool”
Páginas: 512
Editora: Intrínseca
Sinopse: O que você faria se o mundo lá fora fosse fatal, se o ar que respira pudesse matá-lo? E se vivesse confinado em um lugar em que cada nascimento precisa ser precedido por uma morte, e uma escolha errada pode significar o fim de toda a humanidade?Essa é a história de Juliette. Esse é o mundo do Silo.
Em uma paisagem destruída e hostil, em um futuro ao qual poucos tiveram o azar de sobreviver, uma comunidade resiste, confinada em um gigantesco silo subterrâneo. Lá dentro, mulheres e homens vivem enclausurados, sob regulamentos estritos, cercados por segredos e mentiras.
Para continuar ali, eles precisam seguir as regras, mas há quem se recuse a fazer isso. Essas pessoas são as que ousam sonhar e ter esperança, e que contagiam os outros com seu otimismo.
Um crime cuja punição é simples e mortal.
Elas são levadas para o lado de fora.
Juliette é uma dessas pessoas.
E talvez seja a última.

Este post foi publicado em: Livro, Resenhas

por

Espécime da safra de 89. Recentemente descobriu que não consegue escolher uma coisa só, então alterna a vida profissional entre as funções de jornalista e fotógrafa. Criou o projeto fotográfico "Uma Pessoa Por Dia", onde consegue mesclar as duas coisas.

27 comentários

  1. Pingback: Até mais, expectativa! Foi bom te conhecer | Literasutra

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s