Livro, Resenhas
Comentários 44

Até mais, expectativa! Foi bom te conhecer

Quando terminei “Silo”, o primeiro livro da trilogia super aclamada de Hugh Howey, tratei logo de comprar “Ordem”, o segundo, sabendo que ainda teria que lidar com a ansiedade da espera pelo terceiro livro, que ainda não foi lançado no Brasil. Mas a verdade é que, ao contrário da opinião da maioria dos leitores, “Ordem” foi como um balde de água fria pra mim: Além de não ser tão bom quanto o primeiro, suas “revelações bombásticas” são bem previsíveis. Resumindo, agora estou aqui de boa, vivendo minha vida enquanto o próximo livro não vem, com expectativa morna.

Para quem foi pego de surpresa nisso tudo, “Silo” é uma ficção científica que se passa num mundo distópico. Tudo deu errado, o mundo está completamente poluído por toxinas (serão mesmo toxinas, caro Watson?) e os sobreviventes vivem dentro de silos subterrâneos, completamente isolados do exterior. Aliás, não completamente. Ainda lhes resta duas últimas formas de contato: Uma é o telão, que transmite a paisagem desoladora captada por quatro câmeras posicionadas no topo, e outra é uma viagem sem volta para o lado de fora, uma espécie de exílio para quem comete crimes graves.

“Essa palavra também significa outra coisa, sabia? – disse-lhe certa vez seu pai, quando Mission tinha falado de revolução. – Ela também significa rodar. Girar. Uma revolução, e você volta ao mesmo lugar onde começou.” (pág. 169)

Enquanto “Silo” narra o momento atual, “Ordem” resgata acontecimentos do passado para contar como tudo chegou a este ponto – como e porquê os silos foram criados. Mas o que no primeiro livro é uma história instigante, cheia de “AI MINHA NOSSA SENHORA!”, acaba se tornando uma série de “Hm, bem que eu desconfiava”. Todas as grandes revelações prometidas pela capa na verdade são um tanto previsíveis ou pelo menos não prenderam a minha atenção com a mesma intensidade que o primeiro livro. E, nossa, que capa mais apelativa, viu?

“O certo era as pessoas morrerem e as culturas durarem. Ali era o contrário” (pág 373)

De alguma forma, no entanto, “Ordem” me pareceu ter uma escrita um pouco mais desenvolvida que “Silo”: Alguns trechos tiveram suas sutilezas, o que foi gostoso de ler. No mais, fiquei com a impressão de que foram páginas demais para história de menos, muita coisa poderia ser facilmente cortada para que a narrativa ficasse mais concisa. Quanto à revisão, acho importante ressaltar que as falhas diminuíram consideravelmente (nada de trocar “queixo” por “queijo”, por exemplo). Em outras palavras, existem livros que merecem ser relidos, e “Ordem” para mim não é um deles. Não conduz a grandes reflexões, embora tenha espaço para isso. Minhas expectativas não foram correspondidas, infelizmente, e espero que “Legado”, o terceiro livro, conserte isso.

Clique aqui e leia a resenha de “Silo”!


Ordem Hugh Howey IntrínsecaTítulo original: “Shift”
Autor: Hugh Howey
Editora: Intrínseca
Páginas: 512
Sinopse: No primeiro livro da série, a heroína era Juliette, uma mecânica nascida nos subterrâneos. A narrativa de Ordem, que alterna passado e presente, começa em um período anterior ao descrito em Silo, explicando como o mundo de Juliette foi transformado. São apresentados ao leitor um portador do século XXIII; um senador da Geórgia num futuro próximo; um garoto abandonado, cuja história termina quando a de Juliette começa, e Troy, que acorda em 2110 sem saber quem é.
Hugh Howey apresenta aos leitores um mundo pós-apocalíptico, com os poucos seres humanos restantes sobrevivendo à atmosfera tóxica do planeta Terra em um silo subterrâneo.
A narrativa torna-se claustrofóbica e contrita à medida que a humanidade é forçada a viver no silo e a tomar medicamentos que a fazem esquecer a destruição infligida aos amigos e parentes. Ao contar uma história que se passa em um futuro bem próximo, Howey cria um apocalipse totalmente convincente e, à medida que revela as camadas de seu mundo distópico, pavimentando o caminho para a sequência da série, “Legado”.

Este post foi publicado em: Livro, Resenhas

por

Espécime da safra de 89. Recentemente descobriu que não consegue escolher uma coisa só, então alterna a vida profissional entre as funções de jornalista e fotógrafa. Criou o projeto fotográfico "Uma Pessoa Por Dia", onde consegue mesclar as duas coisas.

44 comentários

  1. Crisna Caroline diz

    Eu entendi seu sentimento quanto ao livro, mas creio que isso seja o resultado da forma como ele surgiu, já que me parece que o 3o foi o único formado originalmente pra ser um livro, ou que, pelo menos, segue uma história só. Os outros eram uma coletânea de contos (5 se não me engano) que foi organizada em dois livros. Quanto à história eu creio que pelo menos um ponto me supreendeu, que foi o fato de a destruição da Terra ter sido proposital… No mais achei interessante e acredito que esse livro tenha vindo, de certa forma, como um extra. Se fosse pra comparar com Maze Runner, por exemplo, esse livro seria um equivalente ao Ordem de Extermínio. A diferença é que ele foi incluído no meio ao invés de ser lançado no final…

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    • Oi, Crisna! Muito obrigada pelo seu comentário, antes de tudo. 🙂 Sobre o livro em si, acredita que mudei minha opinião sobre ele? Uma amiga minha (que também tem blog, aliás… É a Raquel, do Por Uma Boa Leitura) conversou comigo sobre ele e me fez ler novamente. Acabei gostando muito. E o terceiro livro, se não me engano, sai neste semestre aqui no Brasil, sabia? 😀 Quero muito ler!

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  2. Ana Beatriz diz

    Monalisa, acabei de ler Ordem. Eu havia me apaixonado por Silo, e não me senti tão prejudicada quanto vc com o segundo livro. Mas eu quero fazer um comentário sobre o personagem Jimmy, o Solo: evidentemente é um jovem com baixo intelecto, ele não consegue entender direiito onde está nem o porquê. E o contraponto dele com Donald é bem interessante: de um lado uma pessoal altamente consciente, inteligente e angustiada, com grandes culpas; do outro uma pessoa só instinto, que faz o que é necessário pra viver. Não te parece muito básica esta dicotomia, ou seja, a ideia de que a sabedoria e o conhecimento trazem a angústia, e que o paraíso está ao alcance dos “mansos” (leia-se inorantes). Tem algo mo meu ouvido sussurrando: uma vez que se teve aceso ao conhecimento, não há volta, nem há mais paz.
    Por fim, estou desesperada para ler Legado!

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  3. Oi, Monalisa!
    Quis Silo quando vi falarem dele na Turnê, ganhei de amigo oculto no fim do ano passado, mas até agora não consegui parar pra ler. A premissa é interessantíssima e vi várias resenhas positivas tanto dele quanto de Ordem, por isso fiquei bem surpresa com sua resenha. Talvez o fato de originalmente a série ser de vários livros pequenos unidos para estes volumes tenha influenciado sua percepção de que a história deu uma caída. Eu continuo curiosa e espero não me decepcionar com nenhum dos volumes.
    Beijinhos!
    Giulia – http://www.prazermechamolivro.com

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  4. Eu adorei sua resenha, e odeio quando espero de um livro pra apenas me sentir frustrada. Eu também odeio quando as revelações que deveriam me surpreender são obvias no estilo de novela da globo.
    Eu ainda não li Silo, está entre as minhas leituras futuras, mas eu gostaria de gostar de ordem e de silo.
    Adorei sua resenha, mas já disse isso né? Espero que o terceiro compense o segundo.
    http://www.euinsisto.com.br

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  5. Oi! Está aí uma série que está faz tempo na minha lista de desejados e ainda não consegui começar, eu vejo pela resenha que foge dos clichês que tenho visto neste estilo de livro e muito me agrada, eu espero poder conferir em breve.

    Bjos!!!

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