Livro, Resenhas
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No meio dessa briga tem um Nietzsche

Se em “Romeu e Julieta” e “Abril Despedaçado” as mortes causadas pelas rixas familiares ficam por isso mesmo, em “Que fim levou Juliana Klein?” elas são investigadas. Não por acaso, seu título é uma pergunta bem direta. Afinal, ao contrário das histórias de Shakespeare e Ismail Kadare (respectivamente), o romance policial de Marcos Peres é ambientado numa Curitiba do século XXI e conduzido pelo olhar do delegado Irineu de Freitas.

Marcos Peres, o autor, que em 2013 venceu o Prêmio Sesc de Literatura com “O Evangelho Segundo Hitler”, desta vez usou um aforismo de Nietzsche como inspiração. Alternando-se em 3 momentos temporais diferentes (2005, 2008 e 2011) e com uma rixa familiar no pano de fundo da história, Marcos aborda a nocividade das crenças cegas – que, aliás, nem sempre são religiosas. Juliana Klein, a grande motivadora do título do livro, é mais que especialista no filósofo alemão: ela chega a ser obcecada.

“Não é conformismo. Em primeiro lugar, amor fati significa que o sujeito conseguiu compreender o que a maioria dos seres humanos, de todos os povos e de todos os tempos, não conseguiu compreender: que a história é circular e que, para enxergar o futuro, basta compreender o passado. Que o primeiro passo para ter uma vida promissora é justamente olhar para trás e perceber os erros e os acertos dos que viveram, testemunharam e morreram.” (pág 274)

O livro segue a fórmula clássica dos romances policiais, com direito a todos os crimes, investigações e reviravoltas possíveis. E como toda rixa de família, seus motivos se perderam no passado: na época em que as famílias rivais, Klein e Koch, ainda viviam na Alemanha. O que surgiu motivado por um simples caso de triângulo amoroso adolescente acaba perpetuando o ódio entre as gerações e agora toma proporções devastadoras.

“Que fim levou Juliana Klein?” é um bom livro. As cenas são verossímeis, os diálogos são sedutores e o final impressiona. E mesmo que a história não envolva como deveria, mesmo que as citações filosóficas (que tanto me atraíram de início) estejam no livro apenas de passagem, esta é uma leitura que vale a pena, principalmente para os amantes do gênero policial.

Juliana Klein Marcos Peres“Que fim levou Juliana Klein?”
Autor:
Marcos Peres
Editora: Record
Páginas: 352

*Livro cedido pela editora.

17 comentários

  1. Sim, crenças cegas nem sempre são religiosas, mas de qualquer maneira geram fanatismo que pode ter consequências desastrosas. Não sou muito fã de policial, mas adorei esse quote que você colocou, e fiquei com vontade de ler, mesmo que você tenha achado que a história não envolve como deveria.

    Beijo.

    Ju – Entre Palcos e Livros

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  2. Diana Canaverde diz

    Oi Monalisa… jamais pensei que ficaria tão curiosa com essa obra… apesar de ter uma pegada de policial e seus mistérios, ainda assim seria um livro com o qual eu fugiria de minha zona de conforto… fiquei bem tentada, principalmente pelas rixas familiares e como elas transcorreram… Xero!!!

    http://minhasescriturasdih.blogspot.com.br/

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  3. Genteeeeeee que capa mais linda do mundo todinho.
    AMEI AMEI AMEI.
    Eu achei top, realmente não tinha parado para pensar que nunca tem um verdadeiro motivo ou uma boa explicações para essas rixas entre familias.
    Eu já tenho certeza que vou amar esse livro.

    Curtido por 1 pessoa

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