Mês: outubro 2015

Performanception (ou horoscoperformance)

Inspirado nos versos de “Diariamente”, canção de Nando Reis, o artista Felipe Bittencourt começou algo diferente. Ele, que já trabalha há mais de 5 anos como performer, certo dia deu início à sua performance mais demorada: Durante um ano inteiro ele idealizou uma performance diferente todos os dias. 365 desenhos com instruções publicados até as 10h da manhã num blog para um público cativo que aos poucos cresceu. Uma performance dentro da outra; metaperformance ou performanception, como você preferir chamar. Ao final tudo, o trabalho virou livro: “Performance Diária”, publicado pela nVersos numa edição impecável. A obra é um compilado de todos os trabalhos idealizadas por Felipe. Um desenho a cada página, respeitando as escolhas e até mesmo eventuais erros de escrita. Para artistas, o livro é inspirador, quem sabe até um catalisador: Não é à toa que Felipe recebe, vez ou outra, fotos de pessoas realizando alguma performance proposta por ele no livro, e seu trabalho inclusive já foi tema de estudo em uma faculdade chilena. Já para leitores comuns, “Performance Diária” é no mínimo …

Então você acorda e descobre que é ninguém

Um futuro em que cirurgias plásticas não entram mais em pauta porque a questão agora evoluiu: Há pessoas que se submetem a cirurgias no cérebro em busca de mais inteligência. Neste futuro vive Jason Taverner, um sujeito privilegiado. Cantor renomado, dono de um programa semanal com audiência de 30 milhões de pessoas, sua vida é invejável. Até que, de repente, ele deixa de existir. “Era isso que cada um deles temia. Um homem invisível”. (Pág. 75) Se no dia anterior qualquer caminhada despretensiosa significaria assédio em massa dos fãs, hoje ele passa por todos sem ser notado. É como se a personalidade Jason Taverner nunca tivesse existido. E tendo ele vivido tantos anos em função da fama, quando ela de repente desaparece o que é que sobra? Some-se a isto um problema bem prático: Para os registros do governo ele também não existe; ele sequer nasceu. Assim começa “Fluam, minhas lágrimas, disse o policial”, livro de Philip K. Dick que, com um pano de fundo futurístico, vem tratar sobre questões de identidade (entre muitas outras coisas).  “Quando morremos …