Livro, Resenhas
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Marina, a Menina Macaca

Um dos meus filmes preferidos durante a infância era “Mogli, o Menino Lobo”. Em grande parte por causa da música do Baloo e do seu abraço de urso, mas também porque a ideia de viver bem pertinho dos animais me era (e ainda é) sedutora. Então eu cresci e descobri que histórias como a do Mogli acontecem na vida real. Você já deve ter se deparado com alguma delas na TV ou em alguma matéria como esta do Hypeness. E, bem, as coisas na vida real são bem diferentes do que nos filmes da Disney: Afinal, viver na selva não é nada muito fácil, principalmente quando se tratam de crianças.

Parece ficção, mas é realidade. “A Garota Sem Nome” conta, em forma de romance, a história verdadeira de uma menina que, abandonada na selva colombiana, foi adotada por uma família de macacos. É a história de Marina Chapman, que somente aos 14 anos ganhou um nome verdadeiro, que ela própria escolheu. Com narrativa simples e sem obstáculos, acompanhamos a transformação de uma menina que, inicialmente em contagem regressiva pelo seu tão esperado aniversário de 5 anos, aos poucos adota o comportamento e as características animalescas que aprende com os macacos ao seu redor.

“Família não é apenas o grupo de pessoas a quem você parece pertencer, ou que está mencionado na sua certidão de nascimento, ou até mesmo as pessoas que compartam seu DNA. A família se encontra em qualquer lugar onde você é amada e cuidada.” (Pág. 109)

Mas o livro não para por aí. É no pós-selva que a narrativa realmente choca e transmite sua mensagem: Se a ideia de uma criança convivendo com toda sorte de perigos na selva te parece brutal e inumana, as próximas páginas te mostram como a vida na cidade, entre humanos, pode ser muito pior. Estamos tão acostumados à indiferença e à crueldade que mal nos damos conta.

“A Garota Sem Nome” foi uma ótima surpresa, excedeu minhas expectativas. Sua linguagem simples, de vocabulário fácil, faz do livro um passatempo perfeito para quem apenas deseja dessa forma, além de não tirar o foco das reflexões que possam surgir a partir da história.  A narrativa é em primeira pessoa, sob a voz da Marina atual, já adulta. E o livro traz surpresas: além de fotografias de família, temos ainda um prefácio, escrito por Vanessa James (uma das filhas de Marina), o prólogo, e uma nota assinada por Lynne Barrett-Lee, a ghost-writer que auxiliou a composição do livro. Todos esses elementos, juntos, compõem um livro muito bom, do tipo que quanto mais as páginas avançam, mais vai ficando viciante e envolvente.

E agora uma pequena descontração! Fiquem com Mogli e Baloo:

A Garota Sem Nome Marina Chapman Monalisa Marques Literasutra“A Garota Sem Nome”
Autora: Marina Chapman
Editora: Record
Páginas: 322

*Livro cedido em parceria pela editora.
Foto principal: Julia Fullerton-Batten, da série “Feral Children”

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