Livro, Resenhas
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Do cinza ao púrpura

Se existisse uma lista de todos-devem-ler, “A Cor Púrpura” certamente estaria nela. Vencedor do Pulitzer e inspiração para o filme homônimo de Steven Spielberg, o romance da norte-americana Alice Walker merece todos os elogios possíveis. Retrato dos Estados Unidos entre guerras, o livro conta a história de Celie, cuja vida foi marcada pelo racismo, machismo e pobreza.

“Ela falou, Toda minha vida eu tive que brigar. Eu tive que brigar com meu pai. Tiver que brigar com meus irmão. Tive que brigar com meus primo e meus tio. Uma criança mulher num tá segura numa família de homem.”

Nascida em uma cidade segregada, a vida de Celie é um pesadelo. Desde muito nova ela é estuprada pelo pai, com quem teve dois filhos que nunca conheceu. O sofrimento aumenta quando, forçada a se casar com um homem violento, ela se separa da irmã, sua melhor amiga. Mas sua personalidade pacífica – e um tanto submissa – está prestes a conhecer novas formas de viver: uma nova amiga está prestes a chegar; Shug Avery pintará sua vida cinza de púrpura.

“Bom, a gente conversou e conversou assim sobre Deus, mas eu inda tô sem saber. Tô tentando botar aquele velho homem branco pra fora da minha cabeça. Eu vivi tão ocupada pensando nele queu na verdade nunca reparei nada do que Deus faz. Nem na espiga de milho (como será que ele faz isso?) nem na cor púrpura (de onde será que ela vem?). Nem nas florzinha silvestre. Nada.”

Eis um livro sobre mulheres, escrito por uma mulher para todos os públicos, mas especialmente para elas. Publicado inicialmente em 1982, trata de assuntos que ainda hoje não se encontram totalmente resolvidos. Sua relevância, no entanto, não se resume à temática: a forma como Alice Walker a executa é maravilhosa. Basta dizer que em “A Cor Púrpura” os homens não têm nome, são apenas espaços vazios, recurso usado para discutir muitas coisas, entre elas a submissão da protagonista a figuras como o pai e o marido, dos quais ela sequer pronuncia o nome.

“Pense no que significa a Etiópia sr a África! Todos os etíopes da Bíblia eram pretos. Isto nunca tinha me passado pela cabeça, se bem que quando a gente lê a Bíblia isso fica perfeitamente claro se a gente prestar atenção só nas palavras. São os desenhos da Bíblia que enganam. Os desenhos que ilustram as palavras. Neles, todas as pessoas são brancas e por isso você pensa que todos os personagens da Bíblia também são brancos. Mas os verdadeiros brancos viviam num outro lugar naquela época. É por isso que a Bíblia fala que o cabelo de Jesus Cristo era que nem lã de cordeiro. Lã de cordeiro não é lisa, Celie. Não é nem anelada.”

Tal qual uma obra prima, “A Cor Púrpura” atinge o leitor de forma muito intensa. Seus personagens simples (mas não simplórios) conduzem uma trama instigante, do tipo que torna difícil deixar o livro de lado até que se tenha chegado ao fim. Alice Walker consegue nos envolver com sua história de superação e evolução, com deliciosos toques de redenção.

A cor púrpura 3D“A Cor Púrpura” (“The Color Purple”)
Autora: Alice Walker
Editora: José Olympio
Páginas: 336

19 comentários

  1. Mona, eu amei esse livro! É aquele livro que merece ser de cabeceira, eu me senti tão apegada aos personagens que agora to sentindo como se eu tivesse tido que deixá-los e partir pra outro lugar <\3

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  2. Oi, tudo bem?

    Eu assisti o filme e logo quis ler o livro. Nunca li. Depois de um tempo acabei esquecendo e toda vez que leio algo sobre o livro ou filme me lembro que preciso ler o livro. Sua resenha foi a primeira que li sobre essa história e agora percebi quanto tempo estou perdendo deixando esse livro para depois. Vou providenciar o meu exemplar e começar a ler. Eu fico só imaginando o quanto o livro vai me tocar, pois se o filme me deixou tão emotiva, o livro deve acabar comigo.

    Beijos.

    http://livrosleituraseafins.blogspot.com.br/

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  3. Angélica diz

    Nossa, me arrepiei só lendo sua resenha, imagina se ler o livro?
    No momento não estou psicologicamente bem para isso, quando estiver melhor lerei.
    Bjs

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  4. Oi Mona, confesso que eu nunca li essa obra, mas já está na minha lista faz um tempão. A premissa é bem interessante, o estilo de livro que eu gosto.

    Beijokas da Quel ¬¬

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  5. Olá

    Eu não lembro de já ter lido alguma coisa a respeito desse livro, nem do filme, mas achei a premissa bastante interessante, pois se hoje as mulheres ainda sofrem com o machismo e a violência imagine no tempo das guerras, sem contar que adoro livros em que presenciamos a superação dos personagens, ótima dica, bela resenha, simples e direta.

    Bjss

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