Livro, Resenhas
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Abri uma cápsula do tempo

Deleite para os amantes de ficção científica mas também ótima surpresa para os astronautas de primeira viagem, “As Fontes do Paraíso” é uma obra típica de Arthur C. Clarke, embora não seja a minha preferida. Comparando passado e futuro, o livro traz o já esperado diálogo ciência versus fé e vai além: apresenta diversas outras questões, dando margem para que cada leitor use a lente de aumento que lhe for mais conveniente. 

Há 2 milênios, o rei Kalidasa empreendeu um sonho. Desafiando família e religião, construiu um suntuoso palácio no topo de uma montanha, e com sua maravilha arquitetônica igualou-se aos deuses. Dois mil anos depois, já no século XXII, a ambição está prestes a tomar forma outra vez. O engenheiro Vannevar Morgan, conhecido por unir dois continentes com a Ponte Gibraltar, deseja agora unir a Terra ao espaço sideral com uma nova ponte – uma espécie de elevador espacial. O único problema é que, por questões muito bem explicadas no livro, o único local viável para a construção de seu projeto é uma montanha onde se situa um antigo e tradicional monastério budista.

“Eu sempre quis saber o que acontece exatamente quando uma força irresistível encontra um objeto inamomível.”

Todas as questões políticas e religiosas que se desenvolvem a partir daí são chacoalhadas pelo aparecimento de um sinal de rádio de origem não humana. É o Planador Estelar, que está se aproximando da Terra (e protagoniza algumas das minhas partes preferidas do livro).

“Assim como a verdadeira compreensão da geologia era impossível até sermos capazes de estudar outros mundos além da Terra, uma teologia válida deve aguardar o contato com inteligências extraterrestres. Não pode haver nenhuma disciplina chamada religião comparada, enquanto estudarmos apenas as religiões do homem.”

Engana-se quem pensa que o livro tem linguagem árdua ou difícil de ser compreendida, ou pensa que a construção de uma ponte no pano de fundo da história a torna automaticamente mais indicada para engenheiros. Isto é apenas o background que puxa diversas outras reflexões, como o embate tradição/ inovação, tudo sempre regado ao humor sutil à la Arthur Clarke. Portanto, embora à primeira vista a premissa possa intimidar um pouco, a leitura vale a pena por todos os pontos já ressaltados e principalmente pelo seu final: Um baque forte que chega a fazer barulho na mente.

“As Crônicas registram que ele tinha uma roda danificada, que rangeu por todo o caminho – o tipo de detalhe que deve ser verdade, pois nenhum historiador iria se dar ao trabalho de inventa-lo.”

Se você está lendo este texto no século XXII, antes de tudo saiba que eu estaria muito feliz em saber que o blog ainda está ativo e que alguém ainda se interessa por ele. Em segundo lugar, gostaria de pedir a você que lesse o livro e contasse aqui nos comentários: Quais das “previsões” de Arthur C. Clarke se concretizaram? Aqui, no meu século, algumas já estão sendo colocadas em prática! ;D

Se você é do mesmo século que eu (o que é muito mais provável), desconsidere o parágrafo acima! Eu não sou louca (pelo menos não por causa disso)! “As Fontes do Paraíso” traz um panorama muito crível do futuro, e se o autor já conseguiu acertar algumas coisas, acho melhor não duvidar nem das mais estranhas…

9788576571827


“As Fontes do Paraíso”

(“The fountains of paradise”)
Autor: Arthut C. Clarke
Editora: Aleph
Páginas: 352

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