Livro, Resenhas
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Para exercitar a empatia

Mikey e Timmer são uma dupla marcada pela cumplicidade incondicional; melhores amigos, sem dúvida. Com um único detalhe: Mikey é um garoto de 14 anos, Timmer é um cachorro, e muitas vezes seus papeis parecem estar trocados. 

Não é preciso haver uma “moral da história” para que conhecimentos sejam difundidos. As coisas mais sutis, aquelas que chegam sem serem anunciadas, são as que geralmente ficam conosco por um tempo. É este o caso de “O céu noturno em minha mente”, estreia de Sarah Hammond na escrita juvenil. Ao colocar como protagonista um menino de 14 anos com dificuldades de aprendizagem, a autora propõe um jogo ao jovem leitor: exercitar a empatia. Quem não se coloca no lugar de Mikey, quem julga sem tentar compreender não consegue embarcar em sua jornada de mistério.

Aos 14 anos Mikey ainda se expressa como criança, seus sentimentos e pensamentos são extremamente ingênuos. Mas Mikey tem poderes. De uma forma que ainda não aprendeu a controlar, ele consegue acessar o Pra Trás, o passado. Um poder que de início pode lhe parecer apenas combustível para pesadelos, mas que acaba se revelando como ferramenta muito importante para desvendar mistérios. Por exemplo, o que significa a cicatriz que dói insistentemente atrás de sua cabeça? E por quê seu pai está na prisão? As cenas do passado se escondem nas sombras, e é melhor assisti-las com sabedoria.

“O céu noturno em minha mente” é uma boa escolha principalmente para jovens leitores, mas não somente para eles. Com sua narrativa leve apesar dos momentos de tensão, a autora constrói um mistério e espalha suas pistas ao longo da trama. Leitores mais experientes conseguirão desvendar tudo muito antes do final, mas então lhes sobrará o que considero o principal: acompanhar a evolução de Mikey e torcer fervorosamente por ele.

o ceu noturno em minha mente resenhaO Céu Noturno em Minha Mente
(The Night Sky in My Head)
Autora: Sarah Hammond
Editora: Galera Junior
Páginas: 288

*Livro cedido pela editora.

30 comentários

  1. Ei Monalisa,
    Ainda não tinha lido resenha desse livro, gosto quando os autores utilizam de problemas reais em suas história como no caso desse livro que o Mikey tem problema de aprendizagem. Sua resenha me deixou instigada e até ansiosa por esta leitura… Aí meu Deus mais um pra lista rsrs

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  2. Esse livro já chama atenção pelo título. Belíssimo. Bom, se tem algo que me encanta em juvenil é que ele ultrapassa as concepções de seu próprio gênero e, acaba por atingir outros públicos. Parece ser o caso do livro resenhado. Espero poder ter a oportunidade de lê-lo.

    Beijos!

    Curtido por 1 pessoa

  3. ‘Não é preciso haver uma “moral da história” para que conhecimentos sejam difundidos. ‘ essa frase já valeu a resenha por completo. Alteridade é um temática bem interessante para um livro juvenil, apreciei a dica.

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