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Autor de “V de Vingança” sabe que você usou a máscara nas manifestações. E ele acha o máximo!

“Se você é um artista e tem a oportunidade de dizer algo, diga algo que valha a pena ser dito” – David Lloyd.

Os fãs cariocas de “V de Vingança” agora têm uma nova data para lembrar além do 5 de novembro. 9 de maio de 2016 foi o dia em que David Lloyd esteve no Rio de Janeiro, na Livraria Blooks, para um bate-papo regado a cerveja e alguns copos d’água. Coautor da icônica HQ ao lado de Alan Moore, Lloyd contou (dentre muitas outras coisas), que soube do uso da máscara de V durante as manifestações no Brasil e que ficou muito feliz com isso:

“Eu achei o máximo, fiquei muito feliz! Isso significa que a obra conseguiu realizar o seu propósito. Quando criamos o V, eu não tinha noção de que ele seria o que é hoje, essa imagem tão forte. Havia somente um desejo, de que quando as pessoas vissem a cara do V elas reconhecessem que estava sendo dito algo importante. Não queríamos apenas mais uma história de aventura, queríamos usar o recurso dos quadrinhos para falar de algo que nos motivasse, queríamos discutir uma visão política. Se você é um artista e tem a oportunidade de dizer algo, diga algo que valha a pena ser dito”.

Na época de sua criação, em 1982, o Reino Unido passava por um momento político bem particular: a ascensão da direita fascista com a criação do Partido Nacional Britânico. Embora não houvesse a possibilidade concreta da Inglaterra se tornar fascista, David Lloyd e Alan Moore sentiram a necessidade de alertar as pessoas quanto a isso. E só puderam concretizar o seu desejo porque a revista na qual trabalhavam era independente:

“Como nosso editor não podia pagar os preços de mercado, nós tivemos liberdade total para criar a história exatamente como queríamos, com um personagem complexo. Isso era algo bem inesperado para a época. É exatamente o contrário do que acontecia na produção norte-americana de quadrinhos: Com uma demanda de 22 páginas por mês, os artistas não tinham tempo nem espaço suficientes para serem criativos e criarem coisas diferentes e significativas. Enquanto isso, nossa produção era de 6 a 8 páginas mensais”, ele conta.

David Lloyd e o mediador, Carlos Patati.

David Lloyd e o mediador, Carlos Patati.

No entanto, hoje a situação é mais complicada. Os quadrinhos de linha já não vendem tanto quanto há 10 anos, e apesar disso o número de pessoas que desejam trabalhar na área só aumenta. Para ingressar no mercado, não adianta enviar uma amostra para a editora pelo correio. A grande maioria faz contatos com outros artistas e roteiristas em convenções, mostrando seu trabalho: “É assim que acontece hoje em dia por causa da competição. Não gosto disso, porque assim as amostras excelentes de pessoas que moram muito longe ou não têm condições de ir a esses eventos acabam ficando enterradas numa pilha de papeis dentro das  próprias editoras e então nunca são publicadas”.

Com a percepção aguçada, Lloyd brincou sobre como a maior parte da plateia, devido às suas perguntas, parecia estar interessada em entrar para o mercado de HQs. As risadas confirmaram sua suspeita, então deu-se início a uma série de conselhos e observações sobre o ofício. Por exemplo, a importância de uma boa narrativa. Afinal, o mercado pode se orientar pela estética, que num primeiro momento é o que mais chama a atenção e vende, mas o mais importante é a história que se conta.

“Mesmo assim, ser capaz de contar uma boa história é só metade do que você precisa. A narrativa é um exercício técnico, é algo que se consegue com estudo. Mas também é importante que você desenhe tão bem quanto conseguir de modo humano. Se fizer isso, seu trabalho vira arte. Comece sendo o melhor desenhista que puder, então parta para a narrativa”, aconselha Lloyd, que começou no mundo dos quadrinhos aos 13.

Após trabalhar na área da publicidade por 6 anos, viu-se desempregado após pedir demissão por uma proposta de emprego que não se concretizou, e percebeu que precisava trabalhar duro para melhorar como desenhista. Durante quatro anos limitou-se a empregos de meio expediente que só lhe tomavam 3 dias por semana. Ou seja, quando não estava pintando letreiros ou móveis nesse tempo, praticava incessantemente sua arte. “Pois é, o caminho pro sucesso não é exatamente muito fácil”, ele brinca.

Atualmente David Lloyd se dedica à publicação da Aces Weekly, uma revista online de quadrinhos. Toda semana os assinantes recebem um mix de pequenas histórias ou capítulos de séries, e a cada 7 semanas é lançado um volume completo. “Este é um novo modo mais fácil de publicar, que acaba com muitos custos e desperdícios que não temos mais o direito de cometer no século XXI. É publicado com um laptop, é fácil de fazer e a qualidade é perfeita. A Aces Weekly é maior, mais trabalhada e completa do que um webcomic comum. E justamente porque cortou muitos custos desnecessários, é mais barata e justa”, ele explica. Para saber mais sobre a Aces Weekly e assinar 30 páginas semanais por 6 reais, clique aqui.

E é claro que houve sessão de autógrafos! ❤

Meu momento ostentação!

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Já tenho a foto perfeita pro dia 5 de novembro

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Dani e Letícia: V de Vingança proporcionando ótimos reencontros!

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Este evento foi parte do Festival das Livrarias, que durante o mês de maio promove debates, lançamentos e autógrafos em diversas livrarias do Rio de Janeiro. Clique aqui e confira a programação completa!

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17 comentários

  1. Pode rolar uma invejinha branca aqui???? Eu queria muito esse autografo e ter visto a palestra. Achei muito informativa e o autor, como esperado, uma pessoa que vale a pena ouvir.
    E a foto, se vc não usar no dia 5 de novembro… eu uso hahahaha!
    ❤ Excelente post

    Curtido por 2 pessoas

  2. Oi Monalisa,
    Achei um máximo você tirar foto com ele! Que massa!!
    Quanto ao V de Vingança, eu simplesmente adoro o filme pois me lembra muito 1984 que é um livro extraordinário.
    Beijos
    Blog Relicário de Papel
    relicariodepapel.wordpress.com

    Curtido por 2 pessoas

  3. andreiarenata diz

    Oie!
    Que evento bacana esse! Queria algo assim na minha cidade.
    Deve ter sido um debate incrível esse que tiveram com o David, principalmente para quem curte a área de HQs. Eu conhecia pouco sobre V de Vingança, apenas o filme, mas depois de uma resenha feita por uma amiga e escritora no blog fiquei curiosa para conferir mais sobre essa história e o seu post só solidificou isso.
    Abraços,
    Andy- http://www.starbooks.com.br

    Curtido por 2 pessoas

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