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Encrenca que derruba preconceitos

Com o lançamento de seu livro de estreia em 2014, os olhares do mundo literário voltaram-se para Non Pratt. Agora, com sua publicação no Brasil pela editora Verus, pude comprovar: “Encrenca” não é só uma capinha bonita, é uma obra com conteúdo forte o suficiente para derrubar preconceitos. Sua narrativa irreverente e livre de julgamentos empresta um olhar perspicaz sobre um assunto polêmico: gravidez adolescente.

Considerada por todos como a “vadia” da escola, Hannah engravida aos 15 anos. Sem querer (nem poder) revelar quem é o pai, a menina acaba assumindo sozinha a responsabilidade pela gravidez. Começa então uma onda de bullying que colocará à prova as verdadeiras amizades.

“Depois de tê-lo visto na tela ontem, descobri que quero que tudo corra bem. Com o bebê, digo. Não sou tonta de pensar que tudo vai correr bem com a minha família”.

Tangente a este turbilhão está Aaron Tyler, aluno novo da escola que se mudou recentemente com a família para os arredores. Aparentemente bem ajustado mas na verdade completamente deslocado, Aaron esconde um segredo. Na ânsia de “fazer a diferença”, o garoto assume a paternidade, mesmo não sendo o pai, para ajudar Hannah a enfrentar seus problemas.

“O amor dos meus pais é tão grande que eles preferem achar que falharam na educação do que reconhecer que o problema é comigo, e isso é sufocante. É sufocante ser perdoado quando tudo o que você quer é levar a culpa”.

Encrenca fala sobre temas bem profundos, como a amizade verdadeira, o amor e o desafio de “encontrar o seu lugar no mundo”. Traz nova luz aos romances adolescentes, o que além de refrescar a literatura contemporânea voltada para este público também pode despertar o interesse de novos leitores. Com sua linguagem jovem mas que não faz força para ser “descolada”, o livro é capaz de ensinar muito mais que qualquer discurso antiquado e carregado de preconceitos.

E sanando a dúvida levantada por certo ditado popular, em Encrenca é a arte que imita a vida. Afinal, a personagem Hannah não é a única a sofrer com a culpabilização exclusiva da mulher. Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

encrenca
“Encrenca”
(Trouble)
Autora: Non Pratt
Editora: Verus
Páginas: 307

*Livro cedido pela editora.

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por

Espécime da safra de 89. Recentemente descobriu que não consegue escolher uma coisa só, então alterna a vida profissional entre as funções de jornalista e fotógrafa. Criou o projeto fotográfico "Uma Pessoa Por Dia", onde consegue mesclar as duas coisas.

26 comentários

  1. Oiee \o/ como ta?
    O livro parece bom, eu gosto de livros mais adolescente com tematicas mais profundas e fico muito feliz desse não ter nem triângulos chatos nem romances chatos porque sei q poderei ler \o/

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  2. Oi Mona, no começo desse livro eu achei mesmo que não fosse gostar da história, mas conforme o livro foi se desenvolvendo, eu me envolvi demais com a história e me surpreendi muito sobre como as coisas aconteceram. Acho que o mais legal é que a autora te incentiva a julgar a personagem principal só para depois mostrar que as coisas não são como parecem ser.

    http://laoliphant.com.br/

    Curtido por 1 pessoa

    • Também pensei em Juno antes de ler! Mas no final das contas não tem nada a ver. Os personagens são bem diferentes uns dos outros, e acredito que justamente por isso “Encrenca” ajude a desconstruir e acabar com preconceitos. A Hannah corresponde aquele estereótipo de “puta”, sabe? E os amigos de escola realmente a chamam assim, é triste. :/

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  3. Oi, Mona! O tema do livro é tão ‘velho’, mas mesmo assim ainda tão necessário nos dias de hoje. Como é que pode a mulher ainda ser massacrada por conta de uma gravidez indesejada se ela não fez a criança sozinha, não é mesmo?! Por isso livros têm que trazer esse tema à discussão, mas sem romantização.

    Beijos!

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  4. Olá flor, venho acompanhando muitos comentários positivos sobre essa obra, a premissa é bem atraente e estou certa que a leitura deve ser bem agradável. já quero ler.

    Abraços

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  5. Oiii Mona!
    Eu não conhecia o livro,mas adorei o tema principal! Gosto muito de livros que tratam todos e qualquer tipo de problema adolescente. Já passei dessa fase, mas esses livros sempre tem ago a ensinar!
    Bjus

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  6. Oi Monalisa, tudo bem? Ainda não conhecia esse livro, mas gostei muito de sua premissa. Gosto de títulos que têm algo a mais a nos ensinar, mesmo que sejam romances ou histórias menos impactantes. A escrita também é importante, quando é muito rebuscada, é difícil para algumas pessoas se apegarem a história. Gostei muito da sua resenha. Beijos, Érika ^^

    Curtido por 1 pessoa

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