Livro, Resenhas
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Assassina em pele de boneca

Publicado originalmente em 1954, “Menina Má” chocou a sociedade da época por introduzir na literatura a primeira criança assassina. Hoje, já tendo influenciado a criação de diversas outras aberrações mirins, como Sarama, Anabelle e Chucky, o livro chega ao Brasil em edição especial.

“Ela não tem a menor capacidade de sentir remorso nem culpa. Ela é completamente despreocupada”.

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Ninguém desconfia de Rhoda, uma menininha encantadora e aparentemente impecável, e esse é o seu maior trunfo. Mas não há nada que a convivência próxima possa esconder. Christine, que sempre achou a filha uma criança “diferente”, está prestes a descobrir coisas muito piores sobre a criança. Rhoda é psicopata, e embora em nenhum momento o livro mencione exatamente o termo, não lhe faltam elucubrações. Como, por exemplo, será que a maldade somente cresce por influência do meio, ou também pode nascer como uma “semente do mal”?

“Isso é para ser uma espécie de lição para mim? Que os olhos só enxergam aquilo com o que a cabeça se ocupa?” (Pág. 160)

Com sua narrativa que sabe conduzir o leitor sem se deixar cair no tédio, apesar dos vários diálogos internos de Christine, o autor conseguiu criar uma história realmente interessante, principalmente por explorar diversos aspectos da psicopatia, desde o sujeito em si até como se relaciona com as pessoas à sua volta. Mas não somente isso. Uma das questões mais marcantes do livro é o aspecto da culpa, mas quanto a isso é melhor eu deixar o assunto por aqui, por causa do risco de soltar algum spoiler.

Também merece destaque o projeto gráfico, assinado pelo Estúdio 78. A começar pela capa, que sozinha já traz conteúdo e conta sua história: a bonequinha estereotipada, cuja inocência, frágil como papel, é facilmente rasgada. Dura mas acetinada, a capa é a perfeita representação da personagem. Olhares desatentos vêem apenas a boneca, sem esperar pelo interior de sangue que as páginas contam. Exatamente como acontece com Rhoda.

menina má william marchMenina Má
(The Bad Seed)
Autor: William March
Editora: DarkSide
Páginas: 272

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Este post foi publicado em: Livro, Resenhas

por

Espécime da safra de 89. Recentemente descobriu que não consegue escolher uma coisa só, então alterna a vida profissional entre as funções de jornalista e fotógrafa. Criou o projeto fotográfico "Uma Pessoa Por Dia", onde consegue mesclar as duas coisas.

13 comentários

  1. Pingback: Você prefere o capeta ou uma criancinha psicopata? | Literasutra

  2. Italo TEIXEIRA diz

    Oi Monalisa, tudo bem?
    Adorei saber mais sobre o livro. Ele parece ser uma leitura cheio de suspense. Me interessei bastante com a obra e espero ter a chance de lê-la.

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  3. eu sou bem curiosa em ler esse livro, acho que dos lançamentos desse ano da editora esse é um dos que mais quero, eu adoro esse gênero de leitura e também me atrai essa ideia de crianças psicopatas, porque saimos um pouco desse sonho infantil de fofura e caimos na real de que realmente existem casos assim ou até piores.

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