Livro, Resenhas
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O poder das preliminares

“Os Invernos da Ilha”, romance de estreia de Rodrigo Duarte Garcia, é um livro de aventura com direito a tesouro de pirata e duelo de sabre, mas sobretudo sobre aquela busca incessante e interminável pelo sentido da vida. Sua excelente narrativa, conduzida por personagens muito bem desenvolvidos, faz o autor ultrapassar a classificação de apenas “promissor”; Rodrigo merece ser lido.

Após uma perda significativa, Florian Links refugia-se de seu passado em um mosteiro numa ilha remota do pacífico. Lá ele conhece Rousseau, um professor pedante que, atraído pela vasta biblioteca do monastério, está passando uma temporada na ilha a fim de traduzir o diário de um pirata holandês, o lendário Olivier Van Noort. Apesar das personalidades incompatíveis (para a alegria do leitor), Florian e Rousseau se envolvem no que acreditam ser a maior descoberta de suas vidas: Contrariando toda a história oficial ensinada há 400 anos, os dois descobrem que o pirata pode ter escondido um riquíssimo tesouro justamente na ilha onde estão.

invernos ilha 2

Tendo visto tantos elogios ao início do livro, preciso dizer que meu primeiro contato com ele foi um pouco frustrante. O personagem-narrador só se apresenta por volta da página 90, e até lá o que temos é a narrativa de um presente que, para ser sincera, não me despertou muito interesse. Não houve conexão à primeira vista, mas o livro não faz mesmo o tipo “paixão arrebatadora”; está mais para um amor que cresce com o tempo, bem fortalecido. Uma relação e verdade. “Os Invernos na Ilha” é para quem acredita no poder das preliminares.

A maior parte do livro é dedicada à construção dos desenvolvimento e ao desenvolvimento das relações entre eles, o que acaba por ser o grande trunfo do autor. Apesar da linguagem rica, da ótima capacidade de descrever (sem entediar) e de todas as outras qualidades da obra, são as tais preliminares que fazem com que o ato em si seja memorável. Quando o momento certo chega, conhecemos os personagens tão bem que quase podemos antecipar suas atitudes e falas. O irritante (e irritável) Rousseau, o herói-falho (com pouquíssimo talento para nado) Florian, a médica local (e pivô de triângulo amoroso que merece existir) Cecília von Lockenhaus, dom Fernando, o monge que apesar da pouca idade tem ótimos conselhos, e o núcleo jovem muito bem representado por Jorge e Viviana Rulfo, responsáveis por boa parte das risadas.

“Os Invernos da Ilha” é para quem busca uma leitura respirável, para quem deseja embarcar numa aventura bem construída do início ao fim — que, aliás, é um estrondo.

invernos da ilha“Os Invernos da Ilha”
Autor: Rodrigo Duarte Garcia
Editora: Record
Páginas: 462

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*Livro enviado pela editora.

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