Livro, Resenhas
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Pra deixar o coração quentinho e velejar na imaginação

“Em Algum Lugar nas Estrelas” repousam todos os nossos sonhos. Para alcançá-los basta acreditar, além de ter certa habilidade para ligar os pontos, mas Jack não consegue fazer isso. Ao contrário do que se espera de um menino de 13 anos, ele está desiludido com a vida e não enxerga muito além dos nomes e posições das constelações. Mas não há nada que uma amizade verdadeira (e uma baita aventura) não possam consertar…

“Há mais estrelas por aí do que as que já tem nome. E todas são lindas”

Não importa de qual lado você faz parte, em uma guerra todos saem sempre perdedores. Alguns mais, outros menos, mas ambos com perdas significativas de pessoas queridas — e existem inúmeras formas de perder alguém. A mais conhecida é a morte, mas um pai, depois de 4 anos na guerra, pode não ser exatamente o mesmo quando volta. É o que acontece com Jack. Em 1945, apesar do retorno do pai, ele se vê duplamente órfão quando enviado para o internato Morton Hill.

Amante incondicional das revistas National Geographic, é na biblioteca que Jack pretende passar a maior parte do tempo de sua vida escolar. Mas seus planos de isolamento social são frustrados quando ele conhece Early, um aluno bem peculiar: Do tipo café-com-leite, aquele de quem os professores não esperam muita coisa e portanto tem passe livre para assistir ou não às aulas, Early é um personagem e tanto. Ele é a concentração de todo o alívio cômico da história, mas nem por isso torna-se bobo. Aliás, bem pelo contrário, Early é muito inteligente. Nas considerações finais do livro a autora explica: o menino tem espectro autista altamente funcional e erudito para a música. Mas, considerando que em 1945 suas particularidades seriam completamente ignoradas por um sistema engessado de educação, é justamente isso o que acontece na história.

“Ele ouvia Louis Armstrong às segundas, Frank Sinatra às quartas, Glenn Miller às sextas e Mozart aos domingos. A menos que chovesse. Se chove, é sempre Billie Holliday.”

A aventura começa quando Jack e Early, unidos numa amizade aparentemente improvável mas que eu aposto que “estava escrita nas estrelas”, saem em busca de Pi.  Sim, o famigerado número 3,14, esse curinga infinito da matemática cujo talento de Early permite que seja lido tal qual um romance. Sendo assim, Pi é um menino que encontra-se perdido na floresta após viver inúmeras aventuras. E lá se vão os dois amigos velejando num barco à procura de Pi… Cuja trajetória tem interseções muito convenientes com a história do irmão mais velho de Early, que morreu recentemente na guerra.

Quando a autora coloca um número infinito, o Pi, como uma pessoa de carne e osso que realmente existe (ao menos de acordo com as afirmações de um menino), ela está fazendo uma alegoria da morte. E em uma história que aparentemente não tem pé nem cabeça, Clare Vanderpool consegue inserir os sentidos da vida. Amizade verdadeira, confiança, lealdade, o poder de acreditar nas coisas. Toda vida é mágica e especial, às vezes só nos falta aquele poder de enxergar sua magia.

“Em Algum Lugar nas Estrelas” é aquela ótima combinação de história especial e edição impecável. Cheio de significados, este é um livro onde tudo tem o seu propósito: nenhuma cena é supérflua, nenhum diálogo existe sem necessidade. Tudo se combina para o enriquecimento dos personagens e da escrita em si, que evolui num movimento que aquece o coração e nos faz viajar.

Como se não bastasse amar a história, ao final do livro acabamos amando também a autora. Em um dos extras mais fofos que já vi, Clare Vanderpool explica suas motivações e inspirações para a história e vai além: propõe um questionário muito divertido, com perguntas como “O leite de hipopótamo é cor-de-rosa?” Se você souber a resposta, não hesite em entrar em contato com a autora. Tenho certeza de que ela está esperando por você. 😉

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“Em Algum Lugar Nas Estrelas”

Autora: Clare Vanderpool
Editora: DarkSide
Páginas: 272
*Livro cedido pela editora. 

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10 comentários

  1. Michelle Ladislau diz

    Oi.
    Tudo bom?
    Estou com esse livro aqui para ler, mas falta tempo.
    Pela sua resenha a história me pareceu única, não lembro de ter nada parecido, agora transformar Pi em uma pessoa deve ter sido épico.
    Amei sua resenha.
    Beijos

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  2. Oi, tudo bem?
    As edições da DarkSide são lindas, já venho namorando esse livro desde o lançamento. Quero muito ler. Gostei muito da sua resenha se eu me apaixonar pela história assim como amei a capa vou ficar muito feliz.
    Beijos

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  3. Oi
    Tudo bom?
    Faz tempo que eu estou de olho nesse livro, primeiro pela edição perfeita, essa capa é muito linda!
    E essa história tem tudo para ser incrível
    Adorei sua resenha
    Estou de olho nos livros da Darkside, quando baixar um pouquinho o preço eu compro. Depois da bienal né, pq agora todo o meu dinheiro é para a bienal!
    Bjs

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  4. Olá!
    Pelo que pude perceber, o título do post tem tudo a ver com as emoções que a leitura desperta.
    Eu já estava doida para ler o livro, e agora, após ler sua resenha, quero ainda mais.
    A autora parece ter criado uma história especial e emocionante com essa amizade entre Jack e Early, além das muitas reflexões que esta história deve nos causar. Quero muito ler!
    A edição está maravilhosa!
    Beijos.

    Li
    Literalizando Sonhos

    Curtido por 1 pessoa

  5. Oi, Mona!

    Gente, quero M U I T O esse livro desde que o vi pela primeira vez. Sabe quando o título e a capa te convencem sem nem mesmo você ler a sinopse? Então ❤ E, desde a primeira resenha que li, já sei que é o tipo de livro que amo. Gostaria muito que ele estivesse por um preço mais bonito por aí haha.
    Fiquei muito feliz por existirem personagens tão díspares, mas que se completam. E adorei que a autora tenha criado alguém com limitações, mas que elas não o definam. Confesso que tô doida pra ler e ficar ouvindo a playlist deles HAHA.
    Como sempre, amei a resenha.

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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