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A evolução de um pseudônimo – Entrevista com Lemony Snicket (e Daniel Handler)

Algumas pessoas nascem de um encontro amoroso — às vezes nem tão amoroso assim. Outras nascem de um susto, como, por exemplo, quando não podemos revelar a própria identidade e então um outro ser nos cresce na testa como que por brotamento e passa a nos seguir assim como a sombra faz com Peter Pan. Lemony Snicket, infelizmente, nasceu da segunda forma. Após toda uma vida subindo e descendo as ladeiras de San Francisco, Califórnia, Daniel Handler precisou esconder seu nome verdadeiro de um espécime da vida adulta: “E foi como uma desculpa, ou quem sabe uma anedota. Lemond Snicket simplesmente escapuliu pela minha boca”, ele conta.

“Eu gostaria de pedir desculpas a vocês por todo o trauma emocional que a série possivelmente vai causar”. (SNICKET, Lemony)

Se você, assim como eu, é uma daquelas pessoas comuns que participam de fóruns de artistas pelo simples prazer de se imaginar pintando uma tela, escrevendo um romance ou pulando sobre sua plateia após um show de rock, você já deve saber que uma das manias mais românticas (e irritantes) dos artistas é dizer que suas criações têm vida própria. No caso de Daniel Handler, no entanto, eu ficaria irritada se alguém se atrevesse a dizer o contrário. O que começou como pseudônimo acabou ganhando sua própria história, personalidade e profissão: Lemony Snicket é autor de muitos livros, treze deles conhecidos como “Desventuras em Série”. Isso definitivamente já seria ter vida própria, mas ele foi além. Acaba de ganhar também um corpo (com voz, gestos e possivelmente roupas diferentes para trocar, um luxo!) que narra a história dos irmãos Baudelaire na nova série da Netflix. A primeira temporada de “Desventuras em Série” traz a adaptação dos primeiros livros que contam a triste e desafortunada vida de três crianças, Violet, Klaus e Sunny, que após ficarem órfãos se vêem à mercê das ambições do Conde Olaf, um parente distante cuja única preocupação é se apossar da fortuna das crianças.

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Para um escritor não é fácil, embora seja meio mágico, ver seus personagens ganharem vida nas telas. Ver isso acontecer com o seu pseudônimo, então, deve causar arrepios em partes do corpo que não se arrepiam normalmente. Mas não para Daniel Handler, e ele explica com sensatez: “Pelo que me lembro, minha vida toda tem sido tão desconcertante que essa está sendo só mais uma confusão com a qual lidar”. Dessa forma, tudo o que lhe resta é fazer-nos um pedido: “Eu gostaria de pedir desculpas a vocês por todo o trauma emocional que a série possivelmente vai causar… E que os livros também causam”.

*Esta entrevista foi realizada por email em uma espécie de coletiva de imprensa ao contrário: uma jornalista para dois entrevistados. A jornalista em questão gostaria muito de ter conhecido ambos pessoalmente, mas o email mostrou-se a melhor opção devido à dificuldade de conciliar datas e horários. Aparentemente, os senhores Daniel Handler e Lemony Snicket são muito atarefados — mas a jornalista desconfia de que estejam passando por algum conflito de identidade e não sabe dizer quem levará a melhor: o humano ou o pseudônimo. 

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19 comentários

  1. Minha saga favorita do Lemony Snicket é “Só Perguntas Erradas”, é muito legal!
    Apesar de ter assistindo o filme de Desventuras em série, a história nunca me prendeu. Quem sabe tento de novo com a série.

    PS 1: Cochada que Lemony não é uma pessoa real.
    PS: Acho o nome Lemony muito mais divertido que Daniel. HAHAHA

    Beijos

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  2. Eu simplesmente amo pseudônimos, ainda mais esses que contam um pouco da história de si na própria obra. Quanto à série de Desventuras, considero que o Lemony, infelizmente, deixa a coisa meio infantilizada, parece muito mais um narrador das histórias de “era uma vez”, quase um conto dos especiais de Shrek no Natal. De toda forma, é lindo de se ver pseudônimos encorpando ao longo do tempo. 🙂

    Curtido por 1 pessoa

  3. meioassimetrica diz

    Olá, tudo bem? Sua entrevista foi tão diferente e fluiu tão bem. Não conhecia muito bem o escritor de Desventura em Serie e muito menos que ele tinha um pseudônimo. Acho interessante quando o autor dar vida a um novo eu, pois com ela sai um pouco da sua realidade cotidiana.

    Bye e até logo

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  4. Que incrível! Acho genial quando o artista cria “outros” par explorar suas várias facetas literárias. Não conhecia o escritor e, claro, não sabia do pseudônimo, então gostei mesmo de ter esse contato. Desventura em série eu vi o filme. Não li os livros e nem via a série de tv.

    Beijos!

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