Livro, Resenhas
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Grandes Poderes

Ficção científica sempre foi um cunho forte da literatura. Muitas vezes servindo como matéria prima de filmes, as melhores histórias sobre o futuro estão lá. “Gigantes Adormecidos” do novato Sylvain Neuvel intriga e parece aspirar vôos semelhantes aos de Phillip Dick e Arthur Clarke.

Muitos anos atrás, enquanto passeava de bike no seu aniversário, uma garotinha caiu em uma estátua de mão gigante. Avançando para o presente, outras partes do corpo foram descobertas pelo mundo, e a mesma criança que caiu na mão, hoje chefia as pesquisas de montagem e compreensão do Megazord.

Embora a premissa seja muito promissora, o livro faz uma curva drástica para o melodrama. Logo logo, o foco muda para as relações pessoais dos membros da equipe. A fofoca de escritório até intriga, mas a impressão que passa é que temos problemas maiores para cuidar. Quando volta ao foco, aí sim o livro fica interessante. Ele discorre sobre a ética do poder com a perspectiva de um poder devastador enquanto tece redes de intriga internacional. O payoff nunca chega bem aos pés do suspense proposto, mas a estrada até ele diverte.

Gigantes é um romance epistolar: para quem não sabe o que é isso, quer dizer que ele é contado através de documentos em vez de um narrador propriamente dito. Mais precisamente, parece uma versão em livro da estrutura de “Chronicle” ou “Guerra Sem Cortes”. Na maioria das vezes a fórmula funciona bem. Os diálogos dos depoimentos são divertidos e faz a leitura passar num piscar de olhos. A única hora em que a tática deixa transparecer debilidades são em cenas “ao vivo”. Nesses casos, frases como “subindo…subindo…” ou “mexe,mexe,mexe” parecem irrealistas além de expositivas. O mesmo problema não acontece com as descrições, que se tratando de objetos desconhecidos, é bem importante.

Acompanhamos a grande parte desses relatos como um entrevistador misterioso, o personagem mais interessante do livro. Ele faz um tipão “Homem de Preto”, cheio de contatos e não seguindo as próprias regras. Além dele, os únicos personagens dignos de nota são a pilota militar Kara Resnik e o linguista Vincent Couture.

Alguns tropeços impedem que “Gigantes Adormecidos” se torne uma obra prima do gênero. Mesmo assim, é um livro fácil de recomendar. Uma premissa tão boa excelentemente aproveitada, o livro é tudo que você pode esperar dele e ainda consegue trazer algumas surpresas. Se você ficou encantado com a capa deste livro, acredite, o conteúdo é tão bom quanto.


“Gigantes Adormecidos”

Autor: Sylvain Neuvel
Editora: Suma de Letras
Páginas: 328

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