Mês: maio 2017

“Feminista” não é ofensa, é elogio

O que eu queria dizer talvez não pudesse ser dito. Eu queria dizer — e no final das contas disse — que ela é feminista. Comecei a escrever uma resenha sobre o livro “Em Águas Sombrias”, da Paula Hawkins, e demorei muito mais que o aceitável para colocar em palavras o que eu queria dizer. Foram quase 10 minutos reescrevendo a mesma frase até que eu percebesse o que estava fazendo, então o que a princípio seria apenas uma resenha acabou virando o que você está lendo agora: um metatexto sobre a minha experiência de escrever uma resenha sobre esse livro. Tudo isso para te dizer que toda aquela hesitação de 10 minutos foi porque o que eu queria dizer talvez não pudesse ser dito. Eu queria dizer — e no final das contas disse — que ela é feminista. Anúncios

Deuses NeoAmericanos

*Este texto pode conter spoilers. O livro “Deuses Americanos”, de Neil Gaiman, é um espetáculo. Lançado em 2001, ele é um exemplo de uma narrativa extremamente bem contada e envolvente que associa com precisão metafórica elementos da vida real e o sobrenatural e mágico. As melhores partes do livro, na minha opinião, são os capítulos de “Vindas à América”. Colocados em partes estratégicas do livro, aparentemente sem conexão alguma com a história corrente, eles revelam muito do universo fantástico criado por Gaiman. Clique aqui e assista ao vídeo especial sobre “Deuses Americanos na era Trump”!

3 MIL INSCRITOS – respondendo perguntas e presenteando com livros

Para comemorar o marco de 3 mil inscritos no Canal Literasutra, fiz um vídeo respondendo as perguntas que vocês fizeram no instagram, e mais uma surpresa: presenteei as 5 pessoas mais participativas com livros, como forma de agradecimento! Se você é um dos presenteados, envie o seu endereço completo (com cep) para o email blog.literasutra@gmail.com. 🙂 MUITO OBRIGADA A TODOS!

Overdose de Alien: “Covenant” + “Rio de Sofrimento”

Uma semana e tanto para os amantes da maior criatura parasita de humanos que a gente respeita: a estreia do filme “Alien: Covenant” coincidiu, obviamente não por acaso, com o lançamento do livro “Alien – Rio de Sofrimento”. E nesse texto você confere um combo com a crítica de ambos, com direito a pipoca e guaraná — mas os dois últimos ficam por sua conta, combinado? Clique aqui e confira os livros de Alien em promoção! Alien – Rio de Sofrimento É  o terceiro e último livro da expansão oficial do universo. O primeiro foi “Alien – Surgido das Sombras”, escrito por Tim Lebbon, o segundo foi “Alien – Mar de Angústia”, de James Moore, e este último ficou por conta de Christopher Golden. Ao contrário dos dois primeiros livros, situados no planeta-colônia New Galveston, “Rio de Sofrimento” se passa em Aqueronte, o mesmo planeta onde Ellen Ripley e a equipe da Nostromo encontraram o xenomorfo original. Durante o processo de terraformação do planeta, uma das expedições descobre a espaçonave alienígena que, no passado, atraiu Ripley para lá. E é exatamente esse …

Guardiões da Galáxia 2: O que esperar das 5 cenas pós-creditos

Saiu mais cedo do filme? Teve que meter o pé pra não pagar mais caro no estacionamento? Ou ficou até o final e não entendeu quase nada? Seja bem-vindo! Nesse texto eu te explico cada uma das CINCO cenas pós-crédito de Guardiões da Galáxia Vol. 2. (Lembrando que se você sofrer de spoilerfobia é melhor clicar aqui e escolher outra coisa para ler). 1. Kraglin e a flecha de Yondu A primeira cena é uma extensão bacana do final imediato do filme. Com a morte de Yondu, a responsabilidade sobre a Flecha Yaka (uma das armas mais fortes das quais se tem notícia) fica nas mãos de Kraglin. O problema é que, apesar de agora ser o o comandante da nave Saqueadora, Kraglin continua sendo o desastroso de sempre. Então, na sagacidade do assovio maroto, a Flecha cadencia, cata cavaco e engata voo só para aterrissar logo depois…. no peito do Drax (logo nele?), que grita de dor. Kraglin dá o famoso golpe de joão-sem-braço e sai de perto, para evitar a fúria retaliadora sem metáforas de …

“O casal que mora ao lado” não convence

“As pessoas são capazes de qualquer coisa”, diz a capa do thriller policial da escritora canadense Shari Lapena. De fato, esta frase diz muito sobre o livro em questão. Publicado recentemente no Brasil pela Editora Record, “O casal que mora ao lado” parte do sequestro de uma bebê para abordar questões como a ganância e o egoísmo. Mas o que começa de forma promissora acaba se perdendo em meio a personagens mal justificados e situações forçadas. Uma pena. Compre o seu clicando aqui e ajude o Literasutra a crescer!

Filme: Guardiões da Galáxia Vol. 2

Quando a Marvel anunciou que lançaria um filme sobre a sua série “Guardiões da Galáxia” todos ficaram levemente incrédulos. Afinal, apesar de ser uma série amada pelos fãs não trata-se de um dos carros-chefes do estúdio como “X-Men”, “Homem-Aranha” ou “Vingadores”. Mas assim que o filme saiu surpreendeu todos os céticos revelando-se um verdadeiro hit do MCU. Ao contrário do primeiro filme, “Guardiões da Galáxia Vol. 2” já era aguardado com as expectativas altas e, honrando seu legado, não desaponta. Se o mote do primeiro era sobre a reunião dos personagens principais, o mote do segundo é sobre a união desses mesmos personagens sendo testada. “Ohana” quer dizer “família”, e “família” é a palavra-chave que está no coração da história desse filme. Só a escolha do título do filme já revela muito sobre seu conteúdo: o termo “volume 2” faz referência não só à fita que Starlord (Chris Pratt) recebeu de presente de sua mãe quando criança, símbolo de sua conexão com a Terra e suas questões com figuras parentais, mas também nos traz a …

Filme: “Vida”

Particularmente amo filmes de terror. Mais do que mero entretenimento, eles podem dizer muito sobre os medos e as expectativas da sociedade que os produz e consome. Por exemplo: na década de 50 o maior medo do norte-americano médio era a bomba atômica. Em meio a Guerra Fria e conflitos na Coreia, esse temor se refletia em filmes de terror cujos antagonistas eram forças destrutivas que não podiam ser paradas na forma de aliens, bolhas gigantes misteriosas e seu maior expoente: o monstro japonês Godzilla, vingança da natureza em resposta à destruição atômica. Na virada do séc. XX para o séc. XXI o maior medo dos yankees passou a ser o terrorismo, cujos agentes operam se infiltrando discretamente em grandes centros populacionais (onde fazem mais estragos) e quase sempre são identificados tarde demais. Nesse período temos o boom de filmes e videogames sobre zumbis, cujo vírus letal atua como essas células terroristas. Esse medo impera até hoje, com pequenas variantes: o medo de imigrantes, eufemismo para xenofobia. Em uma nação atualmente obcecada com barreiras e …