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Filme: Guardiões da Galáxia Vol. 2

Quando a Marvel anunciou que lançaria um filme sobre a sua série “Guardiões da Galáxia” todos ficaram levemente incrédulos. Afinal, apesar de ser uma série amada pelos fãs não trata-se de um dos carros-chefes do estúdio como “X-Men”, “Homem-Aranha” ou “Vingadores”. Mas assim que o filme saiu surpreendeu todos os céticos revelando-se um verdadeiro hit do MCU.
Ao contrário do primeiro filme, “Guardiões da Galáxia Vol. 2” já era aguardado com as expectativas altas e, honrando seu legado, não desaponta. Se o mote do primeiro era sobre a reunião dos personagens principais, o mote do segundo é sobre a união desses mesmos personagens sendo testada. “Ohana” quer dizer “família”, e “família” é a palavra-chave que está no coração da história desse filme.

Só a escolha do título do filme já revela muito sobre seu conteúdo: o termo “volume 2” faz referência não só à fita que Starlord (Chris Pratt) recebeu de presente de sua mãe quando criança, símbolo de sua conexão com a Terra e suas questões com figuras parentais, mas também nos traz a imagem de pegar o segundo volume de uma HQ empoeirada na estante para devorá-la. O diretor James Gunn faz um ótimo trabalho adaptando um universo de comics para a linguagem cinematográfica, tarefa mais difícil do que damos crédito.

O plot gira em torno do reencontro de Starlord com seu pai Ego (Kurt Russel) e seu conflito com sua grande questão de abandono pelo mesmo. No desenrolar da narrativa a equipe dos Guardiões se separa em grupos e cada personagem acaba lidando com suas questões pessoais mais profundas e seus problemas de relacionamento. Comparado ao primeiro filme podemos dizer que seu predecessor é mais denso, mergulhando no passado dos personagens e aprofundando-os. O filme disseca a relação de Gamorra (Zoe Saldana) e sua irmã Nebulosa (Karren Gillian) e chega até a explorar mais a história de Rocket Raccoon, dublado por Bradley Cooper, Drax e Yondu (Michael Rooker). Também temos personagens novos como Mantis (Pom Klementieff) apresentados, porém mais usados como plot devices do que personagens propriamente relacionáveis. Por vezes o ritmo do filme acaba prejudicado um pouco ao tentar acompanhar os diferentes arcos sendo desenvolvidos até o momento em que convergem para o último ato, que culmina numa grande batalha com todas as marcas registradas de um finale dos filmes da Marvel.

Gunn tem um cuidado especial ao incluir as músicas da trilha sonora, um dos elementos mais explorados na franquia, diretamente no roteiro, escolhendo dessa vez músicas menos conhecidas, mas que se encaixam perfeitamente ao contexto das cenas. Canções como “Brandy (You’re a Fine Girl)” do Looking Glass, “Mr Blue Sky” da Electric Light Orchestra e a comovente “Father and Son” de Cat Stevens conseguem conduzir o espectador por momentos de nostalgia, imersão histórica, tensão e catarse.

Visualmente o filme evoca aquelas fotografias colorizadas pela NASA tiradas pelo Hubble: há uma pletora de explosões de cores, luzes, planetas e criaturas vibrantes do início ao fim. Apesar de muitos planetas interessantes serem apresentados infelizmente eles são poucos explorados, sendo o foco maior no planeta de Ego, que parece ter saído de uma capa de álbum de uma banda de prog rock dos anos 70. O planeta é visualmente maravilhoso, mas aparentemente vazio, o que parece ser uma escolha proposital levando-se em conta os plot twists do filme.
O filme é recheado de referências e aparições, além de abusar (talvez até demais) dos elementos que mais agradaram o público no primeiro filme. Coisas como o apelo do carismático Baby Groot, dublado por Vin Diesel, e o humor exacerbado e sem tato de Drax (Dave Bautista), por exemplo, são tão exacerbados ao longo do longa que beira ao cansaço, mas o diretor consegue não perder a mão no fan service.

Como era de se esperar, Guardiões da Galáxia Vol. 2 é carregado de ação e humor, tendo também uma história mais densa e alguns momentos dramáticos. Não pude deixar de notar certos traços de Star Wars no tom do filme, principalmente do Episódio IV e de “O Império Contra-Ataca”. O final do filme, mesmo carregado de ação, é bem comovente levando-se em conta o desenvolvimento de tantos personagens queridos pelo público. O Vol. 2 não consegue superar seu predecessor em quesitos como ritmo e roteiro, mas não deixa de ser uma experiência divertida e bem trabalhada nos seus visuais e em sua trilha sonora.

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