Livro, Resenhas
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Vale a pena ler “O Problema dos Três Corpos”?

O motherfuckin Starboy da ficção científica, Cixin Liu, se consagrou no gênero com o livro “O Problema dos Três Corpos”. Goste ou não, o livro já é detentor de um recorde: ele foi o primeiro livro a ganhar o Prêmio Hugo (prêmio máximo da ficção científica) sem ter sido escrito em inglês. Elogios não faltam para descrever este livro, mas para cada coisa que ele faz certo, ele também faz uma errada.

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A história começa com um flashback para a Revolução Cultural de Mao Tse Tung. O exército vermelho impunha dogmas medievais nas universidades. Depois, somos transportados para o presente próximo, onde cientistas relacionados à construção de um acelerador de partículas (como o LHC) estão misteriosamente cometendo suicídio. Não bastando, um promissor cientista na área de fibras de carbono (nosso protagonista) começa a ver uma contagem regressiva sendo impressa em suas fotografias.

Por se tratar de uma ficção científica oriental, eu acabei procurando semelhanças com a obra de Haruki Murakami. Em alguns momentos os paralelos são um esforço de boa vontade, mas Murakami está mais perto de Cixin Liu do que de Kazuo Ishiguro. O narrador desde cedo instaura aquela atmosfera de mistério e estranheza que nos faz devorar capítulo atrás de capítulo. O setup do livro é muito bom, com notas que se assemelham a uma investigação noir. Infelizmente, (spoilers a seguir) a segunda parte nos introduz a um mundo de realidade virtual, e é aí que o livro desanda.

Antes de tudo, as partes de realidade virtual são boas. São bem descritas e se superam em criatividade. No entanto, quebram drasticamente o ritmo da narrativa. Em um momento estamos acompanhando uma trama de intrigas e mistério, e no outro somos obrigados a aguentar longas descrições de eventos apocalípticos doidos, mas que pouco nos interessam. Para piorar, esses trechos são incapazes de criar alguma empatia com o leitor: os momentos no passado nos cativam por retratar um período histórico importante, os momentos no presente nos cativam pelo mistério, já os momentos de realidade virtual parecem mais uma obrigação do que um lazer.

Eventualmente, todas as pontas soltas se reúnem para nos dar um final que está dentro das expectativas. Apesar das falhas, é fácil ver porque este livro merece um Prêmio Hugo. Não é todos os dias que nos deparamos com uma ficção científica tão pé no chão, diferente das elocubrações de Clarke e Phillip K. Dick. Todos os conceitos científicos nele abordados são contemporâneos e bastante factíveis. A propósito, “O Problema dos Três Corpos” faz bastante uso do “sci” de sci-fi. Mesmo que algumas explicações nos deixem boiando, acredite, é só seguir em frente que tudo se acerta. Sendo assim, pode mergulhar sem medo! Este livro não é um clássico instantâneo, mas funciona para o prenúncio de novas ideias.

“O Problema dos Três Corpos”
Autor: Cixin Liu
Editora: Suma de Letras
Páginas: 320

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