Livro, Resenhas
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Elas por Elas – “O Conto da Aia”, de Margaret Atwood

Um belo dia, a Monalisa me repreendeu na Livraria da Travessa por não conhecer “O Conto da Aia”. Olhei o livro e achei a capa feia. Um ano e uma série aclamada pela crítica depois, achei melhor ler o livro, e o que encontrei foi uma narrativa poderosa o suficiente para fazer homens sentirem o peso do machismo.

Veja a resenha da Monalisa no vídeo abaixo:

Logo o início o livro já nos arremessa em um mundo bem estranho. Os Estados Unidos se tornaram uma teocracia patriarcal onde as mulheres ocupam a base da pirâmide de poderDevido a um surto de infertilidade geral, cria-se uma dinâmica na qual as famílias ricas e influentes (únicas que ganham o privilégio da reprodução) têm direito a uma Aia — uma mulher fértil cujo único propósito é conceber e dar à luz ao filho do casal.

A história é uma distopia: Estado bem ao estilo de George Orwell, com direitos revogados, resistência, medo e terror. A escrita de Margaret Atwood é muito eficiente em nos impactar com sua nova realidade criada. Escrito em 1985, o livro faz um claro paralelo com o Estado Islâmico, com o chapéu de abas (vestimenta obrigatória das Aias) sendo a burca da vez. Chama a atenção como o retrocesso da liberdade em geral afeta principalmente as mulheres, assim como aconteceu na Revolução Iraniana.

Para construir um mundo assim tão vivo, a autora realiza maravilhas com as descrições. Visualmente, é um universo ímpar, que se distancia do “apocalipse zumbi” e do “inferninho high tech” para fazer “futurismo artesanal reutilizável”. Nos sentimos em uma cidade vitoriana sem perder de vista a tecnologia. Como na República de Gilead as pessoas são obrigadas a se vestirem conforme as suas classes, a descrição das roupas também rouba a cena, dando aquela vontade especial de assistir à série principalmente por causa da direção de arte e figurino.

Infelizmente, a realização de criar um mundo tão vivo vem com um preço alto: o ritmo do livro. A história é narrada pela perspectiva de uma Aia, com interrupção do fluxo linear para colocar o foco em flashbacks ou comentários pessoais. Artifícios muito interessantes, eles logo se tornam repetitivos, fazendo parecer uma tentativa de esticar o que deveria ser conto longo para o tamanho de um romance. Para piorar, o psicológico da protagonista é construído em parágrafos engessados: eles discorrem sobre um assunto para finalizar com uma frase de impacto conclusiva. 

Após assistir à série, fiquei com a impressão de que o livro criou o pano de fundo perfeito para a adaptaçãoPessoalmente, não acredito que uma teocracia possa tomar o poder dos EUA em pleno século XXI, mas a história me deixa com medo da possibilidade. “O Conto da Aia” se tornou referência de ficção científica feminista e de literatura feminista em geral.

“O Conto da Aia”
Autora: Margaret Atwood
Editora: Rocco
Páginas: 368
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