Livro, Resenhas
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Wild Cards #2 (Ases nas Alturas), George R. R. Martin

Enfim, as fichas de personagens foram preenchidas e agora só falta mestrar! Estou falando de Wild Cards, o universo de super-heróis/ficção científica originado de um RPG mestrado por George Martin. Em seu segundo livro, “Ases nas Alturas”, a série mostra que já fez as honras e não pretende perder tempo com formalidades. Em outras palavras, este livro é completamente diferente do primeiro.

Se o primeiro volume foi um “molhar o pé” em um universo novo, o segundo é um banho de cachoeira. Enquanto antes tínhamos que nos acostumar com super heróis, agora somos apresentados a aliens, ciborgues, culto satânico, mais aliens, artefatos alienígenas e alguns aliens a mais. Mal conseguimos nos acostumar com uma novidade e o livro joga outra em nosso colo. Isso, porém, vem com um preço: Enquanto cada conto do primeiro livro nos dava tempo para conhecer as nuances e desdobramentos de um poder, esse segundo chega a ser inconsequente. Ou seja, acaba não sendo tão interessante quanto o primeiro.

Apesar dos novos personagens serem poucos, sua profundidade não é explorada, fazendo com que se tornem menos carismáticos, repetitivos e até bidimensionais. Apenas dois são dignos de nota: o ciborgue Modular e o Ceifador. O primeiro, embora promissor, acaba parecendo mais um mulherengo que habita essa Manhattan mutante. Já o segundo é um vilão estilo príncipe da morte capaz de fazer suas vítimas passarem por torturas cruéis, as descrições de suas sensações são um dos pontos altos do livro. E o Dr. Tachyon continua servindo como cola que une todos os personagens e arcos narrativos. Além dele, muitos outros personagens estão de volta. Vou evitar dar spoilers, mas essas são as melhores surpresas do livro.

Fica claro que o carro chefe de “Ases Nas Alturas” foi o capítulo “Dificuldades Relativas”. Além de ser o mais longo, ele é um ponto-chave na história  e crítico para vários personagens. Mesmo assim, é excessivamente longo, redundante, truncado, lento e, para ajudar a descer, um humor babaca. O meu capítulo favorito foi “Metade Morta”, que resgata um pouco do clima noir do livro anterior, além de um dos meus personagens prediletos. Durante o livro todo, o ritmo fica comprometido por causa de descrições muito longas durante as cenas de ação, que só servem para nos confundir. Outro grave defeito fica por conta da tradução brasileira: é duro você ter que se deparar com expressões como “isso era assassinato” ou “agora agora”.

Fiquei decepcionado com a segunda parte de Wildcards. Não que o universo tenha perdido seu glamour, mas só que a história dessa vez não me cativou o bastante. Agora resta torcer para que os outros 22 livros da série sejam melhores!

“Wild Cards – Ases nas Alturas”
Autor: 
George R. R. Martin
Editora: Leya
Páginas: 400
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