Autor: MarianaBaptista

Amor e Cromossomos

Ah, o amor! Aprendemos desde cedo que o amor supera tudo. No começo descobrimos que foi esse sentimento que fez com que a Bela superasse a questão bestial da fera e tornasse a vida humana de novo. A Jasmine e o Aladdin venceram o problema econômico, assim como a Cinderela. Além disso, vários outros filmes ao longo da nossa vida nos mostraram que o amor tudo pode. E amar dessa forma parece realmente incrível, não? Só que chega a maturidade, bem como a idade adulta, e nós percebemos que a vida não é uma comédia romântica e ficamos um pouco decepcionados com isso (principalmente com o fato de não termos uma trilha sonora ao fundo). Mas continuamos a ver filmes e a ler livros do gênero — bom, pelo menos eu gosto — por algum motivo que não sei explicar. Além disso, se a história for muito boa ainda tem a maldita ressaca literária. Enfim, o ponto que quero chegar é: na comédia romântica o amor supera tudo, mas até que ponto levar essa premissa para assuntos mais sérios …

A Pequena Guerreira: o livro que te inspira

Enquanto eu fazia maratona de Gilmore Girls na minha adolescência, Samia corria… Apesar da guerra, Samia corria. Corria de burca, de hijab, descalça ou de estômago vazio. Ela fazia musculação com garrafas de refrigerante cheias de areia e tijolos largados no canto da obra, corria pelo seu pai, seu amigo, seus sonhos e por todas as mulheres da Somália. O objetivo dela era através do esporte liderar a libertação das mulheres somalis da escravidão e foi por isso que ganhou o apelido de pequena guerreira. Sua história é impressionante. O romance baseado na vida da atleta é comovente e não fui capaz de me distanciar da história como muitos leitores profissionais fazem, chorei e tive até crise de ansiedade tentando imaginar o que eu faria se estivesse no lugar da menina. “A garotinha de dezessete anos magra feito um prego que vem de um país em guerra, sem um campo e sem um treinador, que luta com todas as suas forças e chega por último. Uma história perfeita para os espíritos ocidentais, entendi naquele dia.” O livro começa com ela ainda bem criança, …

O lado A e o lado B de Nova York

O que me fez querer ler “Histórias de Duas Cidades”, de John Freeman, foi a imediata referência que fiz com o livro “A Tale of Two Cities”, de  Charles Dickens. Apesar das duas obras não terem nada a ver em conteúdo, foi o nome de uma que me levou até a outra. Em seu livro, Freeman utilizou a sua própria experiência na cidade de Nova York como ponto de partida para textos de outros autores que traduzem a dualidade de vivência nessa grande metrópole. A obra em si é uma compilação de vários ensaios sobre diferentes experiências no lugar, os textos que mais gostei foram os que se afastaram da questão o pobre e o rico morando lado a lado. Esse problema das duas cidades numa só, da casa do rico e da do pobre, eu vivo diariamente no Rio de Janeiro. Portanto, dei preferência aos textos que me elucidaram outras questões, vou falar aqui sobre meus três favoritos, além do prefácio feito pelo mentor do livro.

No final tudo acaba em pizza e pau de selfie

Em seu novo livro, “Uma Selfie com Lenin”, Fernando Molica fala de amor e política. Afinal, seu personagem principal é um jornalista de meia idade que está fugindo do Rio de Janeiro após uma confusão na assessoria de políticos para a qual trabalhava. Por isso a história se passa através de uma carta que ele está escrevendo para Eloísa, sua ex-namorada e ex-chefe. Ao tentar relatar todo o mal entendido que o fez embarcar num avião para bem longe do Brasil, o personagem faz uma reflexão de toda sua trajetória de vida. Desde quando era um jornalista mal pago e cheio de ideologias até o momento da história, rico e completamente destruído. “Foi graças a você quem vim parar aqui, que posso estar aqui. Se não fosse você, eu estaria aí, fazendo minhas matérias, enchendo seus clientes de porrada, ajudando você a manter o faturamento de sua empresa.”

Um mundo sem Sherlock Holmes

Se eu tivesse que descrever o livro em uma palavra, esta palavra seria “reviravolta”. O que não é nada de novo em se tratando de um livro policial. Mas é que a reviravolta ultrapassou a metalinguagem e veio até mim, que começou a ler “Moriarty” achando o livro bobo e que com certeza já tinha lido inúmeros livros de mistérios melhores. Só que a história realmente me surpreendeu e acabou sendo diferente e muito boa. Não estou comparando o autor com os mestres do gênero, mas não fica tão aquém. Então, Sherlock Holmes morreu e agora o que acontece? Criminosos esbanjam confiança na ausência do inspetor, a polícia não sabe nem por onde começar e outros investigadores passam a se dividir em dois grupos: os que acham a morte de Holmes uma chance para brilhar e aqueles que pensam na perda total; da pessoa que ele era e de suas visões brilhantes sobre um fato. A história em si é muito palpável, o personagem que nos conta os acontecimentos, Chase, muitas vezes não percebe uma …