Autor: Monalisa Marques

Entre para o Clube da Escrita e escreva com pessoas maravilhosas

Há poucos dias criei oficialmente o Clube da Escrita. O objetivo é reunir pessoas legais que gostem de escrever e desejam treinar a escrita criativa. Em outras palavras, um grupo de apoio contra a procrastinação e o boicote (assuntos nos quais eu já poderia ter um doutorado). Durante esse pouquíssimo tempo o grupo já rendeu muito aprendizado e diversão, e ainda tem espaço para mais gente! 🙂 Se você se interessar, este vídeo explica em tudo em detalhes: Não esqueça de se inscrever no canal e ativar as notificações para não perder nenhum desafio do clube! ❤ Anúncios

“O Segredo de Heap House” poderia ser um filme do Tim Burton

“Todos aqui cresceram com os montes de sujeira em volta, ao lado e dentro de si mesmos” Escrito e ilustrado pelo inglês Edward Carey, O Segredo de Heap House (Crônicas da Família Iremonger) nos apresenta a um universo de fantasia um tanto peculiar. Heap House é a residência (mais apropriadamente chamada de casarão) da família Iremonger. Curiosamente, a casa fica no topo de uma montanha composta por objetos esquecidos (ou descartados), mais conhecidos como Cúmulos. É neste cenário que se passam as histórias de Clod, um Iremonger legítimo, e Lucy Pennant, órfã recém-chegada à mansão. Algumas pessoas são rudes, outras são sensíveis, e Clod tem sensibilidade suficiente para lhe permitir ouvir os nomes dos objetos — não que ele esteja extremamente confortável com essa habilidade bizarra. Logo ao nascerem, os Iremonger ganham um objeto que os acompanhará por toda a vida; no caso de Clod, o objeto é um tampão de banheira cujo nome o garoto ouve muito bem o tempo todo: James Henry. Não é preciso tempo para perceber que Edward Carey domina a arte …

Eu canto

Quanto estou feliz, eu canto O que geralmente faço no meu canto O mais particular possível, sabe Nem chuveiro, nem aula de canto Só no canto da minha mente Aí um dia ele veio, fiquei feliz, saí do canto Cantei feito passarinho Cantamos juntos, um dueto bem bonito E ele desafinou, o meu canto o irritou Minha felicidade ao lado dele não fazia mais sentido Mas quando estou feliz, eu canto Hoje cantei, sabe Um dueto diferente

“Feminista” não é ofensa, é elogio

O que eu queria dizer talvez não pudesse ser dito. Eu queria dizer — e no final das contas disse — que ela é feminista. Comecei a escrever uma resenha sobre o livro “Em Águas Sombrias”, da Paula Hawkins, e demorei muito mais que o aceitável para colocar em palavras o que eu queria dizer. Foram quase 10 minutos reescrevendo a mesma frase até que eu percebesse o que estava fazendo, então o que a princípio seria apenas uma resenha acabou virando o que você está lendo agora: um metatexto sobre a minha experiência de escrever uma resenha sobre esse livro. Tudo isso para te dizer que toda aquela hesitação de 10 minutos foi porque o que eu queria dizer talvez não pudesse ser dito. Eu queria dizer — e no final das contas disse — que ela é feminista.

3 MIL INSCRITOS – respondendo perguntas e presenteando com livros

Para comemorar o marco de 3 mil inscritos no Canal Literasutra, fiz um vídeo respondendo as perguntas que vocês fizeram no instagram, e mais uma surpresa: presenteei as 5 pessoas mais participativas com livros, como forma de agradecimento! Se você é um dos presenteados, envie o seu endereço completo (com cep) para o email blog.literasutra@gmail.com. 🙂 MUITO OBRIGADA A TODOS!

Overdose de Alien: “Covenant” + “Rio de Sofrimento”

Uma semana e tanto para os amantes da maior criatura parasita de humanos que a gente respeita: a estreia do filme “Alien: Covenant” coincidiu, obviamente não por acaso, com o lançamento do livro “Alien – Rio de Sofrimento”. E nesse texto você confere um combo com a crítica de ambos, com direito a pipoca e guaraná — mas os dois últimos ficam por sua conta, combinado? Clique aqui e confira os livros de Alien em promoção! Alien – Rio de Sofrimento É  o terceiro e último livro da expansão oficial do universo. O primeiro foi “Alien – Surgido das Sombras”, escrito por Tim Lebbon, o segundo foi “Alien – Mar de Angústia”, de James Moore, e este último ficou por conta de Christopher Golden. Ao contrário dos dois primeiros livros, situados no planeta-colônia New Galveston, “Rio de Sofrimento” se passa em Aqueronte, o mesmo planeta onde Ellen Ripley e a equipe da Nostromo encontraram o xenomorfo original. Durante o processo de terraformação do planeta, uma das expedições descobre a espaçonave alienígena que, no passado, atraiu Ripley para lá. E é exatamente esse …

“O casal que mora ao lado” não convence

“As pessoas são capazes de qualquer coisa”, diz a capa do thriller policial da escritora canadense Shari Lapena. De fato, esta frase diz muito sobre o livro em questão. Publicado recentemente no Brasil pela Editora Record, “O casal que mora ao lado” parte do sequestro de uma bebê para abordar questões como a ganância e o egoísmo. Mas o que começa de forma promissora acaba se perdendo em meio a personagens mal justificados e situações forçadas. Uma pena. Compre o seu clicando aqui e ajude o Literasutra a crescer!

Os prazeres que a dor me traz

Já faz muito tempo que não choro enquanto minha mãe passa merthiolate no meu joelho ralado. Primeiro porque eu não ralo o joelho há muito tempo; segundo porque, mesmo que ralasse, eu mesma faria o curativo e merthiolate não arde mais. Em outras palavras, já fazia muito tempo que eu não tinha um machucado que fica doendo por vários dias (cólicas menstruais não entram no pacote). Até que, depois de muita procrastinação, eu tomei a vacina contra a febre amarela. Era uma sala pequena de pouco espaço para muita gente. Três enfermeiras na triagem, três pessoas sentadas apreensivas na frente delas, dois adultos sem função definida mas que mesmo assim conversavam muito alto a respeito do jogo Flamengo e Vasco, duas mães e um pai com seus respectivos filhos que gritavam muito alto a respeito das seringas que dois enfermeiros preparavam. E eu. Eu estava tranquila, apesar de confusa com o barulho. Depois que as crianças saíram, e ainda bem que saíram, eu estendi o meu braço e fui vacinada. Resultado: é sempre bom saber que você já pode viajar sem medo de pegar febre …

O triângulo isósceles-amoroso de “The Kiss of Deception”

Na minha lista de “piores clichês do mundo literário”, o triângulo amoroso está em segundo lugar. Em primeiro está o romance forçado, aquele que gera beijos demorados no meio de uma perseguição zumbi, porque aparentemente os zumbis respeitam o amor. Mas o assunto desse texto são os triângulos amorosos. Especificamente o de “The Kiss of Deception”, primeiro volume  das Crônicas de Amor e Ódio. Escrita pela californiana Mary E. Pearson, a história ganhou reconhecimento da crítica especializada e dos leitores, e não sem merecer: mesmo partindo de um plot clichê, a autora desenvolveu a narrativa de uma forma que não somente surpreende o leitor, mas também passa mensagens muito necessárias.

Duas adaptações para Dois Irmãos: Entrevista com Milton Hatoum

Yaqub e Omar, gêmeos protagonistas de uma vida de rivalidades: eis o plot de “Dois Irmãos”. Vencedor de um prêmio Jabuti e pai de duas adaptações, o romance de Milton Hatoum foi lançado há 17 anos e hoje é considerado um clássico da literatura brasileira. Em entrevista exclusiva ao Literasutra, o autor comentou sobre a minissérie dirigida por Luiz Fernando Carvalho e exibida recentemente na TV Globo: “Para mim ela foi um filme de arte na tevê, um filme longuíssimo, esteticamente ousado, com uma forte dimensão dramática e histórica”. Esta não foi a primeira vez que o livro inspirou outras obras. Em 2015, assinado por Fabio Moon e Gabriel Bá, “Dois Irmãos” gerou uma HQ ganhadora de 2 prêmios na categoria  de “melhor adaptação de outros meios”; mesmo assim, Hatoum corrige: “O mais correto seria chamar estas adaptações de ‘reinvenções em outras linguagens’. Eles desenvolveram um estilo, uma forma de narrar muito pessoal. Buscaram isso em obras muito sofisticadas. Por exemplo, o livro em quadrinhos Daytripper (de Fabio Moon e Gabriel Bá) e o filme Lavoura Arcaica (de Luiz Fernando Carvalho) são exemplos notáveis”. “O mais …