Autor: Pedro Henrique Barros Portela da Silva

Uma Magia Mais Real

Eu nunca fui muito fã do gênero “fantasia”, mas me lembro de quando li “Harry Potter e a Pedra Filosofal”. Aquele mundo fictício de Londres tinha uma lógica interna que absorveu completamente a atenção de um garoto de 11 anos. Eu queria saber qual era a minha casa e minha varinha. “O Enigma de Blackthorn” te leva para uma Londres tão pitoresca quanto, mas muito mais realista. Eu prometi a mim mesmo não traçar paralelos entre o aprendiz de bruxo e o aprendiz de boticário, mas isso acabou se tornando inevitável. Em vez de nos levar para um beco retrô, “O Enigma de Blackthorn” nos joga direto no passado: O livro se passa em Londres pouco tempo depois da Revolução Inglesa, com as tensões políticas a flor da pele. O livro faz um bom trabalho em descrever como eram a vida naquela época. A sujeira, o fedor e a medicina questionável pintam um quadro bastante preciso, e não é nada de se sentir inveja. Ainda assim, parte da graça do livro é sentir nojo de …

Admirável Munto Moderno – “Wild Cards”, de George R.R. Martin

Já pensou se a mente por trás de Game Of Thrones fosse encarregada de criar o Universo Marvel? Então, Wildcards é (quase) isso. A capa, com certeza, ostenta bem grande o nome “George R. R. Martin”, mas se você olhar as letras miúdas, vai ver que o livro foi editado por ele. O que isso quer dizer? E, afinal, é ou não é um livro do George Martin? Bem, sim e não. Esse livro começou como um RPG que George mestrava para os seus amigos. Eles são os autores dos diversos contos que formam o livro. Ironicamente, o conto escrito pelo George Martin foi o que eu menos gostei. Embora seja uma história muito importante para o macro cosmo do livro, ela estanca com excessos de descrição e “beats” clichês. A que eu mais gostei foi a devidamente intitulada “Powers”, que mostra como uma pessoa pacata tem que lidar com um poder “overpower”. A qualidade dos contos definidamente não é uniforme, mas tem algo lá para todo mundo. Tom Wolfe aparece para fazer um interlúdio, …

Grandes Poderes

Ficção científica sempre foi um cunho forte da literatura. Muitas vezes servindo como matéria prima de filmes, as melhores histórias sobre o futuro estão lá. “Gigantes Adormecidos” do novato Sylvain Neuvel intriga e parece aspirar vôos semelhantes aos de Phillip Dick e Arthur Clarke. Muitos anos atrás, enquanto passeava de bike no seu aniversário, uma garotinha caiu em uma estátua de mão gigante. Avançando para o presente, outras partes do corpo foram descobertas pelo mundo, e a mesma criança que caiu na mão, hoje chefia as pesquisas de montagem e compreensão do Megazord. Embora a premissa seja muito promissora, o livro faz uma curva drástica para o melodrama. Logo logo, o foco muda para as relações pessoais dos membros da equipe. A fofoca de escritório até intriga, mas a impressão que passa é que temos problemas maiores para cuidar. Quando volta ao foco, aí sim o livro fica interessante. Ele discorre sobre a ética do poder com a perspectiva de um poder devastador enquanto tece redes de intriga internacional. O payoff nunca chega bem aos …