Autor: Victor Rocha

Um reflexo para Charlie Brown

Só alguém inundado em emoção consegue unir inocência e realismo com profundidade na mesma arte. E não há ingrediente melhor para uma imersão sentimental do que a solidão, ou há? Esse foi o caso de Charles M. Schulz. Quando criança, era do tipo esquisitão, que afasta os outros: extremamente tímido, sem autoestima, cheio de espinhas e mirrado demais para praticar qualquer esporte. Sparky, como era conhecido, ia mal em todas as matérias, sofria com a opressão de seus professores e não conseguia falar quando estava perto de alguma garota. Um desastre completo, que colecionava frustrações. O garoto só se sentia bem quando refugiado na acolhedora escuridão das salas de cinema, ou quando entretido pelos quadrinhos de jornal, entre eles “Popeye” e “Turbinho”, sucessos da década de 30. Felizmente, não demorou muito para Sparky tentar seus próprios rabiscos e descobrir que da paixão nascia vocação. E foi dos lápis desta figura extremamente icônica que em 2 de outubro de 1950 nasceram os Peanuts (também conhecidos no Brasil como “Minduim”), uma série de tirinhas protagonizadas pelo bom e velho Charlie …