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Quando Neil Gaiman e Terry Pratchett se unem, o resultado é um livro que você precisa ler

Se um CD passar muito tempo dentro de um carro, ele invariavelmente se tornará um CD do Queen. (pegar trecho do livro)

Quando Neil Gaiman e Terry Pratchett decidem criar juntos uma história, surge algo como “Belas Maldições”. Publicado no início dos Anos 90 nos Estados Unidos sob o título “Good Omen”, este é um dos primeiros romances de Neil Gaiman, escrito em parceria com Terry Pratchett, antes que os dois se tornassem o que são hoje. E mesmo que a escrita de ambos já tenha amadurecido bastante desde então, a qualidade literária da obra continua sendo inegável, fazendo do livro uma ótima porta de entrada para quem deseja conhecer os dois autores de uma vez só. Pois se tem um feat que você deve respeitar incondicionalmente, esse feat é certamente Neil + Terry. Leia mais

Clube da Escrita: Primeiro Desafio

O Clube da Escrita é um projeto deste blog/canal literário que vos fala, criado com o propósito de reunir pessoas legais que querem desbloquear a criatividade e treinar a escrita. Se você nunca tinha ouvido falar sobre ele, eu recomendo que clique neste link e assista ao vídeo introdutório!

Mas se você já sabia de tudo e inclusive está participando, primeira coisa: você arrasa! Segunda coisa: chegou a hora do PRIMEIRO DESAFIO!

Você pode escrever o seu texto e guardá-lo no canto mais recôndito do seu computador ou no fundo de alguma gaveta. Mas o ideal é que compartilhe o resultado com todo mundo! E para isso é só participar do nosso grupo maravilhoso lá no Facebook (clica aqui, isso é um link, é pra clicar mesmo).

Boa sorte para todos! 🙂

Entre para o Clube da Escrita e escreva com pessoas maravilhosas

Há poucos dias criei oficialmente o Clube da Escrita. O objetivo é reunir pessoas legais que gostem de escrever e desejam treinar a escrita criativa. Em outras palavras, um grupo de apoio contra a procrastinação e o boicote (assuntos nos quais eu já poderia ter um doutorado). Durante esse pouquíssimo tempo o grupo já rendeu muito aprendizado e diversão, e ainda tem espaço para mais gente! 🙂

Se você se interessar, este vídeo explica em tudo em detalhes:

Não esqueça de se inscrever no canal e ativar as notificações para não perder nenhum desafio do clube! ❤

“O Segredo de Heap House” poderia ser um filme do Tim Burton

“Todos aqui cresceram com os montes de sujeira em volta, ao lado e dentro de si mesmos”

Escrito e ilustrado pelo inglês Edward Carey, O Segredo de Heap House (Crônicas da Família Iremonger) nos apresenta a um universo de fantasia um tanto peculiar. Heap House é a residência (mais apropriadamente chamada de casarão) da família Iremonger. Curiosamente, a casa fica no topo de uma montanha composta por objetos esquecidos (ou descartados), mais conhecidos como Cúmulos. É neste cenário que se passam as histórias de Clod, um Iremonger legítimo, e Lucy Pennant, órfã recém-chegada à mansão.

Algumas pessoas são rudes, outras são sensíveis, e Clod tem sensibilidade suficiente para lhe permitir ouvir os nomes dos objetos — não que ele esteja extremamente confortável com essa habilidade bizarra. Logo ao nascerem, os Iremonger ganham um objeto que os acompanhará por toda a vida; no caso de Clod, o objeto é um tampão de banheira cujo nome o garoto ouve muito bem o tempo todo: James Henry.

Não é preciso tempo para perceber que Edward Carey domina a arte da escrita criativa, sendo capaz de construir a narrativa de forma a agradar não somente o público juvenil (ao qual o livro se destina), mas também muitos adultos. As descrição minuciosas de objetos e personagens, por exemplo, que costumam ser mal vistas entre muitos leitores, nesta obra acabam funcionando perfeitamente. Além disso, seu humor irônico serve como uma ótima ferramenta para conduzir as críticas presentes no livro. “O Segredo de Heap House” tem todos os elementos capazes de agradar tanto aos fãs de Tim Burton quando aos de Lemony Snicket.

Uma Magia Mais Real

Eu nunca fui muito fã do gênero “fantasia”, mas me lembro de quando li “Harry Potter e a Pedra Filosofal”. Aquele mundo fictício de Londres tinha uma lógica interna que absorveu completamente a atenção de um garoto de 11 anos. Eu queria saber qual era a minha casa e minha varinha. “O Enigma de Blackthorn” te leva para uma Londres tão pitoresca quanto, mas muito mais realista. Eu prometi a mim mesmo não traçar paralelos entre o aprendiz de bruxo e o aprendiz de boticário, mas isso acabou se tornando inevitável.

Em vez de nos levar para um beco retrô, “O Enigma de Blackthorn” nos joga direto no passado: O livro se passa em Londres pouco tempo depois da Revolução Inglesa, com as tensões políticas a flor da pele. O livro faz um bom trabalho em descrever como eram a vida naquela época. A sujeira, o fedor e a medicina questionável pintam um quadro bastante preciso, e não é nada de se sentir inveja. Ainda assim, parte da graça do livro é sentir nojo de como as pessoas viviam daquele jeito.

Acompanhamos o livro pelos olhos de Christopher Rowe, um menino órfão que recebeu a sorte grande de ser patronado por um boticário: o infame Benedict Blackthorn. Quando um serial killer põe um alvo nas costas dos boticários, o jogo político da guilda dos boticários acaba escalonando, e o mestre de Christopher acaba sendo assassinado. É claro, isso não sem antes deixar pistas para seu competente aprendiz desvendar o seu caso. A história não é pra lá de original, e algumas reviravoltas nós conseguimos ver a alguns metros de distância. O elenco também não muda muito comparado à chatuba de Hogwarts (ou de qualquer monomito): o garoto obstinado, o amigo engraçado, a garota com jeito moleque, o mentor. Nenhuma obra tem copyright desses arquétipos, mas é ruim vê-los usados sem um brilho de excentricidade.

Como o título do livro já sugere, vamos ter um monte de enigmas. Nessa parte, o livro me evocou fortemente Artemis Fowl. Infelizmente, o trabalho de solução desses enigmas não é algo gracioso. O livro lhe oferece símbolos e códigos com letras e números, mas poucas vezes temos a ferramenta para decifrar o que está na nossa frente. Acabamos tendo que esperar o prodígio Christopher Rowe fazer o trabalho chato por nós. E é somente isso que é: trabalho de português. É cansativo, e dificilmente acontece um estalo de brilhantismo à la Poirot.

Apesar da narrativa não ser um ponto forte, a escrita é sólida. Descrições são precisas, sem gastar muito tempo, e conseguem pintar bem as ações. “O Enigma de Blackthorn” não vai mudar a sua vida nem fazer você querer ser um boticário, mas, para qualquer tarado no gênero, o livro proporciona alguns momentos divertidos. Não é que se trate de um livro ruim, mas não é um livro ótimo.

Admirável Munto Moderno – “Wild Cards”, de George R.R. Martin

Já pensou se a mente por trás de Game Of Thrones fosse encarregada de criar o Universo Marvel? Então, Wildcards é (quase) isso. A capa, com certeza, ostenta bem grande o nome “George R. R. Martin”, mas se você olhar as letras miúdas, vai ver que o livro foi editado por ele. O que isso quer dizer? E, afinal, é ou não é um livro do George Martin?

Bem, sim e não. Esse livro começou como um RPG que George mestrava para os seus amigos. Eles são os autores dos diversos contos que formam o livro. Ironicamente, o conto escrito pelo George Martin foi o que eu menos gostei. Embora seja uma história muito importante para o macro cosmo do livro, ela estanca com excessos de descrição e “beats” clichês. A que eu mais gostei foi a devidamente intitulada “Powers”, que mostra como uma pessoa pacata tem que lidar com um poder “overpower”. A qualidade dos contos definidamente não é uniforme, mas tem algo lá para todo mundo. Tom Wolfe aparece para fazer um interlúdio, então, isso quer dizer alguma coisa.

No dia 15 de setembro de 1946, data que pode se tornar feriado por causa desse livro, um gangster supervilão despejou um gás desenvolvido por uma civilização alienígena em Manhattan. Muitas pessoas morreram nesse evento, muitas outras ficaram deformadas, e essas foram chamadas de “curingas”. Algumas poucas que sobreviveram e não foram deformadas ganharam superhabilidades, e essas foram chamadas de “ás”. Por isso o termo “wildcards”, porque você não saber o que vai receber.

O primeiro livro parece uma mistura de Watchmen com X-men: ele narra os eventos do século XXI com a presença de mutantes. Embora os “ás” tomem o centro do palco, os “curingas” acabam também têm uma função importante. Eles acabam sendo usados como forma de falar sobre preconceito, direitos humanos, e contracultura. Os eventos do primeiro livro se passam desde o pós Segunda Guerra até o início dos anos 80. Então, espere muita Guerra Fria e movimento hippie.

Embora seja um livro de contos do mesmo universo, alguns personagens importantes vão aparecer em várias histórias. Alguns exemplos são: Croyd, o curinga dorminhoco que sempre acorda com uma forma diferente; o alienígena/príncipe/doutor/mulherengo Dr. Tachyon; e o “Ás Judas”. Só pelo nome deles você consegue ter uma ideia de como é inusitada a história desse livro. Outros personagens a gente só pode torcer para que apareçam nos próximos livros, tal como o vilão Titereiro. Acredite, o primeiro parágrafo de sua história vai lhe causar repulsa o suficiente.

“Wildcards Vol.1: O Começo de Tudo” é um bom começo para uma saga que parece que vai ser bem maneira. Dito isso, eu senti falta de uma história maior e mais coesa em vez de somente contos que carregam a macro história de pouco em pouco. Por enquanto, o que o primeiro livro realmente fez foi mostrar o potencial da saga, considerem-me convencido.

Eu canto

Quanto estou feliz, eu canto
O que geralmente faço no meu canto
O mais particular possível, sabe
Nem chuveiro, nem aula de canto
Só no canto da minha mente

Aí um dia ele veio, fiquei feliz, saí do canto
Cantei feito passarinho
Cantamos juntos, um dueto bem bonito
E ele desafinou, o meu canto o irritou
Minha felicidade ao lado dele não fazia mais sentido

Mas quando estou feliz, eu canto
Hoje cantei, sabe
Um dueto diferente

“Feminista” não é ofensa, é elogio

O que eu queria dizer talvez não pudesse ser dito. Eu queria dizer — e no final das contas disse — que ela é feminista.

Comecei a escrever uma resenha sobre o livro “Em Águas Sombrias”, da Paula Hawkins, e demorei muito mais que o aceitável para colocar em palavras o que eu queria dizer. Foram quase 10 minutos reescrevendo a mesma frase até que eu percebesse o que estava fazendo, então o que a princípio seria apenas uma resenha acabou virando o que você está lendo agora: um metatexto sobre a minha experiência de escrever uma resenha sobre esse livro. Tudo isso para te dizer que toda aquela hesitação de 10 minutos foi porque o que eu queria dizer talvez não pudesse ser dito. Eu queria dizer — e no final das contas disse — que ela é feminista. Leia mais

Deuses NeoAmericanos

*Este texto pode conter spoilers.

O livro “Deuses Americanos”, de Neil Gaiman, é um espetáculo. Lançado em 2001, ele é um exemplo de uma narrativa extremamente bem contada e envolvente que associa com precisão metafórica elementos da vida real e o sobrenatural e mágico. As melhores partes do livro, na minha opinião, são os capítulos de “Vindas à América”. Colocados em partes estratégicas do livro, aparentemente sem conexão alguma com a história corrente, eles revelam muito do universo fantástico criado por Gaiman.

Clique aqui e assista ao vídeo especial sobre “Deuses Americanos na era Trump”! Leia mais

3 MIL INSCRITOS – respondendo perguntas e presenteando com livros

Para comemorar o marco de 3 mil inscritos no Canal Literasutra, fiz um vídeo respondendo as perguntas que vocês fizeram no instagram, e mais uma surpresa: presenteei as 5 pessoas mais participativas com livros, como forma de agradecimento!

Se você é um dos presenteados, envie o seu endereço completo (com cep) para o email blog.literasutra@gmail.com. 🙂

MUITO OBRIGADA A TODOS!