Todos os posts em: Filme

Overdose de Alien: “Covenant” + “Rio de Sofrimento”

Uma semana e tanto para os amantes da maior criatura parasita de humanos que a gente respeita: a estreia do filme “Alien: Covenant” coincidiu, obviamente não por acaso, com o lançamento do livro “Alien – Rio de Sofrimento”. E nesse texto você confere um combo com a crítica de ambos, com direito a pipoca e guaraná — mas os dois últimos ficam por sua conta, combinado? Clique aqui e confira os livros de Alien em promoção! Alien – Rio de Sofrimento É  o terceiro e último livro da expansão oficial do universo. O primeiro foi “Alien – Surgido das Sombras”, escrito por Tim Lebbon, o segundo foi “Alien – Mar de Angústia”, de James Moore, e este último ficou por conta de Christopher Golden. Ao contrário dos dois primeiros livros, situados no planeta-colônia New Galveston, “Rio de Sofrimento” se passa em Aqueronte, o mesmo planeta onde Ellen Ripley e a equipe da Nostromo encontraram o xenomorfo original. Durante o processo de terraformação do planeta, uma das expedições descobre a espaçonave alienígena que, no passado, atraiu Ripley para lá. E é exatamente esse …

Filme: Guardiões da Galáxia Vol. 2

Quando a Marvel anunciou que lançaria um filme sobre a sua série “Guardiões da Galáxia” todos ficaram levemente incrédulos. Afinal, apesar de ser uma série amada pelos fãs não trata-se de um dos carros-chefes do estúdio como “X-Men”, “Homem-Aranha” ou “Vingadores”. Mas assim que o filme saiu surpreendeu todos os céticos revelando-se um verdadeiro hit do MCU. Ao contrário do primeiro filme, “Guardiões da Galáxia Vol. 2” já era aguardado com as expectativas altas e, honrando seu legado, não desaponta. Se o mote do primeiro era sobre a reunião dos personagens principais, o mote do segundo é sobre a união desses mesmos personagens sendo testada. “Ohana” quer dizer “família”, e “família” é a palavra-chave que está no coração da história desse filme. Só a escolha do título do filme já revela muito sobre seu conteúdo: o termo “volume 2” faz referência não só à fita que Starlord (Chris Pratt) recebeu de presente de sua mãe quando criança, símbolo de sua conexão com a Terra e suas questões com figuras parentais, mas também nos traz a …

Filme: “Vida”

Particularmente amo filmes de terror. Mais do que mero entretenimento, eles podem dizer muito sobre os medos e as expectativas da sociedade que os produz e consome. Por exemplo: na década de 50 o maior medo do norte-americano médio era a bomba atômica. Em meio a Guerra Fria e conflitos na Coreia, esse temor se refletia em filmes de terror cujos antagonistas eram forças destrutivas que não podiam ser paradas na forma de aliens, bolhas gigantes misteriosas e seu maior expoente: o monstro japonês Godzilla, vingança da natureza em resposta à destruição atômica. Na virada do séc. XX para o séc. XXI o maior medo dos yankees passou a ser o terrorismo, cujos agentes operam se infiltrando discretamente em grandes centros populacionais (onde fazem mais estragos) e quase sempre são identificados tarde demais. Nesse período temos o boom de filmes e videogames sobre zumbis, cujo vírus letal atua como essas células terroristas. Esse medo impera até hoje, com pequenas variantes: o medo de imigrantes, eufemismo para xenofobia. Em uma nação atualmente obcecada com barreiras e …

Quando o filme é melhor do que o livro

Costumamos ter como máxima que livros são sempre melhores do que suas adaptações cinematográficas. Parece ser ponto pacífico que nos seus originais literários as histórias encontrem uma realização mais complexa, mais total. Inclusive, muito se argumenta em favor do formato do audiovisual seriado, por ser um tempo-espaço onde uma trama consegue se desenvolver com um ritmo em tese mais aprofundado do que o clássico longa-metragem. Mas ainda assim, mesmo nesse território, adaptações costumam ganhar a fama de versões pioradas de livros. Este definitivamente não é o caso de “A Menina Que Tinha Dons”. O livro de M.R. Carey nos traz a história de Melanie, uma criança da segunda geração de um mundo infectado por um fungo que desencadeou o apocalipse zumbi, aqui chamados de “famintos”. A segunda geração contaminada apresenta as funções mentais preservadas, e inclusive Melanie é algo como uma superdotada, extremamente inteligente e plenamente capaz de nutrir afeto, o que a coloca numa luta interna com seus instintos bestiais. Um grupo de crianças é mantido numa base militar sob rígida rotina de confinamento, …

Precisamos falar sobre “O Filho Eterno”

É sempre um risco falar de maternidade e paternidade. Independente do conteúdo ou da forma, sempre paira no ar toda a carga de julgamentos morais que, apesar de recentes na História, parecem estar tão entranhados na nossa corporalidade, e às vezes é inevitável que eles se presentifiquem. Um livro como “O Filho Eterno”, de Cristóvão Tezza, faz com que essas fibras imaginárias se contorçam permanentemente, ao mesmo tempo gerando repulsa e atração no leitor. O livro de Tezza é daqueles em que se sofre a cada página, mas também é impossível parar. Não no sentido de um masoquismo vazio, mas porque é uma experiência rara a de se ver enlaçado por coisas que você não quer ouvir, e que talvez atinjam em algo parecido com seu âmago. O livro acaba de ser adaptado para os cinemas, com estréia prevista para o dia 30 de novembro, e a convite do Literasutra pude conferir o filme em primeira mão. “O Filho Eterno” é a história de um homem cujo filho tem síndrome de Down. O desvio do termo “pai” …

Por que viver quando se pode reinar?

Chega um momento na vida em que tudo está igual mas ao mesmo tempo diferente, e de repente o único adjetivo que lhe cabe é “desajustado”. Nada mais lhe cabe, desde roupas até certas atitudes, e você não cabe em mais nenhum lugar. É chegado o tempo de ser livre, de encontrar o seu próprio lugar no mundo. “Os Reis do Verão” é justamente sobre isso: aquela nublada fase da adolescência em que somente as boas e verdadeiras amizades sobrevivem.

Matt Damon virou capa de livro

Aqui está uma história que reúne três elementos que levam pessoas às salas de cinema: humor, ação e aventura. “Perdido em Marte” (“The Martian”, EUA, 2015) acaba de virar filme, e subvertendo todo o estigma das adaptações de livros, neste caso o pupilo conseguiu superar o mestre. O que não foi difícil, já que bastava cortarem todo o excesso de siglas, informações técnicas e cálculos entendiantes, que os efeitos visuais em 3D com certeza dariam conta do resto.

Paixão obsessiva à primeira vista

Não é por acaso que “Minotauro”, romance do israelense Benjamin Tammuz, faz alusão à criatura mitológica.  Assim como o mito grego sobre a besta com cabeça de touro, o livro parte de uma paixão avassaladora rumo a um desfecho devastador. Ler “Minotauro” é como andar num labirinto com o predador em seu encalço. “Nenhuma realidade é capaz de afastar um sonho. Nenhum ser vivo pode vencer um fantasma” (pág. 103) No dia do seu aniversário de 41 anos, um homem se apaixona por uma adolescente dentro de um ônibus londrino. A menina, sem suspeitar do homem que agora a segue à distância, desce do ônibus e caminha para casa, revelando assim seu endereço. E então, nos dias que se seguem, ela começa a receber cartas anônimas desvairadamente apaixonadas. O homem em questão é Alexander Abramov, agente secreto israelense que, durante uma missão clandestina em Londres, finalmente vislumbra sua razão de viver: a menina Téa. A partir daí, acompanhamos uma enxurrada de versos que assediam a adolescente. E a reação de Téa a tudo isso vem conferir uma dose extra de suspense à história. “Tiro seus …

Um grande filme sobre um grande hotel

“É um engano muito comum, as pessoas acharem que a imaginação de um escritor está sempre a trabalho, que está constantemente inventando um suprimento infinito de casos e incidentes, que ele simplesmente tira suas histórias do nada. A bem da verdade, é ao contrário. Quando descobrem que você é escritor, trazem personagens e eventos até você, e se você mantiver a habilidade de observar e ouvir com atenção, as histórias vão continuar a procurá-lo a vida inteira”. Eis a citação de um escritor sem nome, um personagem fictício criado pelo cineasta Wes Anderson sob a influência de dois livros de um escritor real. “Cuidado da Piedade” e “Êxtase da Transformação”, do austríaco Stefan Zweig, têm grande participação no mais recente longa-metragem de Anderson, “O Grande Hotel Budapeste” (“The Grand Budapest Hotel”, EUA, 2014).