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Um grande filme sobre um grande hotel

“É um engano muito comum, as pessoas acharem que a imaginação de um escritor está sempre a trabalho, que está constantemente inventando um suprimento infinito de casos e incidentes, que ele simplesmente tira suas histórias do nada. A bem da verdade, é ao contrário. Quando descobrem que você é escritor, trazem personagens e eventos até você, e se você mantiver a habilidade de observar e ouvir com atenção, as histórias vão continuar a procurá-lo a vida inteira”. Eis a citação de um escritor sem nome, um personagem fictício criado pelo cineasta Wes Anderson sob a influência de dois livros de um escritor real. “Cuidado da Piedade” e “Êxtase da Transformação”, do austríaco Stefan Zweig, têm grande participação no mais recente longa-metragem de Anderson, “O Grande Hotel Budapeste” (“The Grand Budapest Hotel”, EUA, 2014).

Sobre uma conversa que nunca aconteceu

Não foi à toa todo o alarde a respeito de “Precisamos Falar Sobre o Kevin” (“We Need to Talk About Kevin”, EUA, 2011), tampouco exagerada a indicação de Tilda Swinton para o Globo de Ouro por melhor atuação em drama. O longa de Lynne Ramsay não se limita a estender às telas o livro “inadaptável” do fenômeno literário chamado Lionel Shriver; ele tem seu rumo próprio. Nada nele é sem propósito e cada cena tem lugar fundamental na narrativa, embora quem tenha lido o livro possa sentir falta de uma coisa ou outra.

Murakami na tela

“And when I awoke I was alone This bird has flown” Norwegian Wood, The Beatles Dois dias depois de ler Norgewian Wood, flagrei sua versão cinematográfica na televisão. Mas só a assisti recentemente, quando a melancolia que me atingiu ao final do livro já havia se dissipado por completo – sentimento que  “Como na canção dos Beatles: Norwegian Wood” (“Noruwei no mori”, Japão, 2010) me trouxe inteiramente de volta, aliás. Pôster e fotos do filme no final do texto!

Um filme de pouca mobília e muito significado

“Cão sem dono” (Brasil, 2007) é a versão cinematográfica de “Até o dia em que o cão morreu”, primeiro romance de Daniel Galera.  Fruto da primeira parceria dos diretores Beto Brant e Renato Ciasca com o escritor e roteirista Marçal Aquino, o longa-metragem cumpre muito bem seu papel de adaptação. Por ser fiel à questão central do livro, é capaz de gerar os mesmos sentimentos e inquietudes que o romance.

A diferença entre usar sangue e ketchup

É enorme a diferença entre uma atuação e uma performance, e para ensinar isso não há ninguém melhor que a “avó da arte da performance”, como ela mesma gosta de se chamar. Marina Abramovic – Artista Presente (“Marina Abramovic – The Artist is Present”, Estados Unidos, 2011) nos traz a obra mais contundente da artista sérvia: aproveitando a retrospectiva organizada pelo MoMA em sua homenagem, em 2010, ela passou 736 horas sentada, em silêncio, recebendo aqueles dentre os 850 mil visitantes da mostra que tiveram coragem de se sentar diante dela.

Era elo, era pacto, era transa

Um nome de livro e de filme; um nome tão grande para uma revelação ainda maior. É claro que você sabe quem é a Camila Pitanga, mas nunca a viu como em Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios (Brasil, 2011). A atriz surpreende pela forma como se entrega a Lavínia, certamente a personagem mais densa de sua carreira até então. Seu magnetismo em cena é tão grande que, não fosse pela maestria com que Beto Brant e Renato Ciasca dirigiram a bela adaptação do livro homônimo de Marçal Aquino, eu poderia assumir uma metonímia e dizer que o filme é a própria Camila.