Todos os posts em: Livro

A Síndrome de Asperger no livro “Passarinha”

“No mundo de Caitlin tudo é preto ou branco. As coisas são boas ou más. Qualquer coisa no meio do caminho é confuso. Essa é a máxima que o irmão mais velho de Caitlin sempre repetiu. Mas agora Devon está morto e o pai não está ajudando em nada. Caitlin quer acabar com isso, mas como uma menina de onze anos de idade, com síndrome de Asperger ela não sabe como. Quando ela lê a definição de encerramento ela percebe que é o que ela precisa. Em sua busca por ele, Caitlin descobre que nem tudo é preto ou branco, o mundo está cheio de cores, confuso e bonito.” Você já ouviu falar sobre a Síndrome de Asperger? Como uma criança autista lida com a dor da perda e convive com preconceito? As respostas para essas e algumas outras perguntas você pode encontrar no livro “Passarinha”, da escritora Kathryn Erskine, que conquistou 15 premiações e, inclusive, o National Book Awards, em 20105. De uma maneira envolvente e com uma linguagem simbólica, o que permite múltiplas interpretações em …

“Felicidade para Humanos” – Afinal, o que é felicidade?

Lidar com situações onde é evidente a complexidade das relações humanas sempre é algo que chama atenção e traz alguns momentos reflexivos. Imagine ler sobre a busca por um relacionamento ideal acompanhado de um amigo que é nada mais nada menos uma inteligência artificial em desenvolvimento? O livro “Felicidade para humanos” apresenta a história da Jen, uma mulher de trinta e quatro anos que acabou de terminar um relacionamento, e a sua relação com o Aiden, um programa de computador que está sendo desenvolvido pela empresa onde ele trabalha. Recém solteira e passando por um dos momentos mais tristes da sua vida, Jean vai contar com apoio do seu programa de computador para seguir a sua vida.

A (falta de) representatividade negra em “A Casa das Sete Mulheres”

Logo no início da minha leitura de “A Casa das Sete Mulheres”, expressei meu descontentamento no instagram: a pouca representatividade dos personagens negros me incomodou muito, provavelmente porque contrastou com o tipo de leitura que tenho feito ultimamente. Considerei todos os comentários que recebi na postagem, e as quase 500 páginas do livro me deram tempo e material suficientes para estruturar melhor a minha opinião. Agora, terminada a leitura, parte do meu descontentamento permanece. E eu gostaria de saber o que vocês têm a dizer sobre isso. IMPORTANTE: Estas minhas divagações dizem respeito apenas ao primeiro livro da trilogia. Depois que eu ler os outros poderei atualizar minha opinião sobre o assunto (e espero que ela tenha motivos para mudar).

“A Montanha Mágica” – Magnum Opus da enfermidade

Em 1912 Thomas Mann, escritor filho de mãe brasileira e pai alemão, visitou sua esposa em Davos, na Suíça, que estava internada num sanatório para tratar a sua tuberculose. A partir dessa curta visita foi plantada a semente de um dos maiores monumentos literários do séc. XX: “Der Zauberberg” ou, em belo português, “A Montanha Mágica”. Centrada na mesma cidade, a história é considerada por muitos críticos literários como um bildungsroman (do alemão “romance de formação”, obra literária que foca nos anos de educação e formação do protagonista), já outros consideram-na uma paródia do gênero. A obra em si desafia qualquer definição que lhe é atribuída, tanto pela magnitude de assuntos abarcados (vida e morte, tempo, doença, amor, arte e política), quanto pela linguagem carregada de referências clássicas e ironia. O sanatório, localizado na Suíça, é utilizado como lente para examinar o microcosmos do zeitgeist europeu.

Wild Cards #2 (Ases nas Alturas), George R. R. Martin

Enfim, as fichas de personagens foram preenchidas e agora só falta mestrar! Estou falando de Wild Cards, o universo de super-heróis/ficção científica originado de um RPG mestrado por George Martin. Em seu segundo livro, “Ases nas Alturas”, a série mostra que já fez as honras e não pretende perder tempo com formalidades. Em outras palavras, este livro é completamente diferente do primeiro.

Elas por Elas – “O Conto da Aia”, de Margaret Atwood

Um belo dia, a Monalisa me repreendeu na Livraria da Travessa por não conhecer “O Conto da Aia”. Olhei o livro e achei a capa feia. Um ano e uma série aclamada pela crítica depois, achei melhor ler o livro, e o que encontrei foi uma narrativa poderosa o suficiente para fazer homens sentirem o peso do machismo. Veja a resenha da Monalisa no vídeo abaixo:

A biografia de Marina Abramovic vai te ensinar o que é arte e performance

Mesmo que você nunca tenha ouvido falar em Marina Abramovic, ela provavelmente já passou pela sua timeline. Uma mulher de vestido longo e cabelos pretos trançados está sentada, sozinha, numa cadeira no centro de uma roda de pessoas. De repente, um homem se aproxima e senta-se na cadeira que está à sua frente, e a cena que segue emociona não somente o casal, mas todas as pessoas que assistiram e compartilharam o vídeo incessantemente nas redes sociais. O vídeo em questão é um trecho do filme “Marina Abramovic — A artista está presente”, que documentou a exposição da artista sérvia realizada em 2010 no MoMa de Nova Iorque. O homem cuja aparição a emociona é Ulay, que durante 12 anos foi seu companheiro e parceiro de performances. “É incrível como o medo é embutido em você, por seus pais e por outras pessoas que o cercam. Você, no início, é tão inocente. Você não sabe.” Esta e outras histórias envolvendo a artista, reconhecida por muitos como “a avó da performance” devido aos quase 50 anos de …

Vale a pena ler “O Problema dos Três Corpos”?

O motherfuckin Starboy da ficção científica, Cixin Liu, se consagrou no gênero com o livro “O Problema dos Três Corpos”. Goste ou não, o livro já é detentor de um recorde: ele foi o primeiro livro a ganhar o Prêmio Hugo (prêmio máximo da ficção científica) sem ter sido escrito em inglês. Elogios não faltam para descrever este livro, mas para cada coisa que ele faz certo, ele também faz uma errada. Compre livros com desconto AQUI! A história começa com um flashback para a Revolução Cultural de Mao Tse Tung. O exército vermelho impunha dogmas medievais nas universidades. Depois, somos transportados para o presente próximo, onde cientistas relacionados à construção de um acelerador de partículas (como o LHC) estão misteriosamente cometendo suicídio. Não bastando, um promissor cientista na área de fibras de carbono (nosso protagonista) começa a ver uma contagem regressiva sendo impressa em suas fotografias.

Quando Neil Gaiman e Terry Pratchett se unem, o resultado é um livro que você precisa ler

Se um CD passar muito tempo dentro de um carro, ele invariavelmente se tornará um CD do Queen. (pegar trecho do livro) Quando Neil Gaiman e Terry Pratchett decidem criar juntos uma história, surge algo como “Belas Maldições”. Publicado no início dos Anos 90 nos Estados Unidos sob o título “Good Omen”, este é um dos primeiros romances de Neil Gaiman, escrito em parceria com Terry Pratchett, antes que os dois se tornassem o que são hoje. E mesmo que a escrita de ambos já tenha amadurecido bastante desde então, a qualidade literária da obra continua sendo inegável, fazendo do livro uma ótima porta de entrada para quem deseja conhecer os dois autores de uma vez só. Pois se tem um feat que você deve respeitar incondicionalmente, esse feat é certamente Neil + Terry.

“O Segredo de Heap House” poderia ser um filme do Tim Burton

“Todos aqui cresceram com os montes de sujeira em volta, ao lado e dentro de si mesmos” Escrito e ilustrado pelo inglês Edward Carey, O Segredo de Heap House (Crônicas da Família Iremonger) nos apresenta a um universo de fantasia um tanto peculiar. Heap House é a residência (mais apropriadamente chamada de casarão) da família Iremonger. Curiosamente, a casa fica no topo de uma montanha composta por objetos esquecidos (ou descartados), mais conhecidos como Cúmulos. É neste cenário que se passam as histórias de Clod, um Iremonger legítimo, e Lucy Pennant, órfã recém-chegada à mansão. Algumas pessoas são rudes, outras são sensíveis, e Clod tem sensibilidade suficiente para lhe permitir ouvir os nomes dos objetos — não que ele esteja extremamente confortável com essa habilidade bizarra. Logo ao nascerem, os Iremonger ganham um objeto que os acompanhará por toda a vida; no caso de Clod, o objeto é um tampão de banheira cujo nome o garoto ouve muito bem o tempo todo: James Henry. Não é preciso tempo para perceber que Edward Carey domina a arte …