Todos os posts com a tag: Companhia das Letras

Vale a pena ler “O Problema dos Três Corpos”?

O motherfuckin Starboy da ficção científica, Cixin Liu, se consagrou no gênero com o livro “O Problema dos Três Corpos”. Goste ou não, o livro já é detentor de um recorde: ele foi o primeiro livro a ganhar o Prêmio Hugo (prêmio máximo da ficção científica) sem ter sido escrito em inglês. Elogios não faltam para descrever este livro, mas para cada coisa que ele faz certo, ele também faz uma errada. Compre livros com desconto AQUI! A história começa com um flashback para a Revolução Cultural de Mao Tse Tung. O exército vermelho impunha dogmas medievais nas universidades. Depois, somos transportados para o presente próximo, onde cientistas relacionados à construção de um acelerador de partículas (como o LHC) estão misteriosamente cometendo suicídio. Não bastando, um promissor cientista na área de fibras de carbono (nosso protagonista) começa a ver uma contagem regressiva sendo impressa em suas fotografias. Anúncios

Duas adaptações para Dois Irmãos: Entrevista com Milton Hatoum

Yaqub e Omar, gêmeos protagonistas de uma vida de rivalidades: eis o plot de “Dois Irmãos”. Vencedor de um prêmio Jabuti e pai de duas adaptações, o romance de Milton Hatoum foi lançado há 17 anos e hoje é considerado um clássico da literatura brasileira. Em entrevista exclusiva ao Literasutra, o autor comentou sobre a minissérie dirigida por Luiz Fernando Carvalho e exibida recentemente na TV Globo: “Para mim ela foi um filme de arte na tevê, um filme longuíssimo, esteticamente ousado, com uma forte dimensão dramática e histórica”. Esta não foi a primeira vez que o livro inspirou outras obras. Em 2015, assinado por Fabio Moon e Gabriel Bá, “Dois Irmãos” gerou uma HQ ganhadora de 2 prêmios na categoria  de “melhor adaptação de outros meios”; mesmo assim, Hatoum corrige: “O mais correto seria chamar estas adaptações de ‘reinvenções em outras linguagens’. Eles desenvolveram um estilo, uma forma de narrar muito pessoal. Buscaram isso em obras muito sofisticadas. Por exemplo, o livro em quadrinhos Daytripper (de Fabio Moon e Gabriel Bá) e o filme Lavoura Arcaica (de Luiz Fernando Carvalho) são exemplos notáveis”. “O mais …

A história que não aprendemos em lugar nenhum

Nem todo mundo que realmente tem o que contar aos 22 anos a ponto de escrever sua autobiografia. Mas Yeonmi Park contraria muitas ideias; por exemplo, o que entendemos pelo termo “desertora”. Normalmente tido como um adjetivo para gente covarde, Yeonmi prova que, na verdade, é preciso ter muita força e coragem para merecê-lo. Isso e muito mais ela conta em “Para Poder Viver”, que narra em detalhes como ela e sua família escapou da ditadura norte-coreana, uma das mais sanguinárias do mundo.

Na Companhia de Linha M

Demorei mais de um mês para percorrer as pouco mais de 200 páginas de “Linha M”, de Patti Smith. Atribulações do cotidiano somadas a outras demandas de leitura e a uma certa falta de ritmo esticaram a presença do livro na minha cabeceira. No entanto, ao encerrá-lo, tive a sensação de que o livro durou o tempo que tinha que durar, numa consonância involuntária com o próprio sentimento do texto.

4 livros para intercalar com outras leituras

Intercalar leituras é o segredo do leitor bem sucedido: dá aquela melhorada básica na memória, aumenta o ritmo de leitura e diverte, como diverte! Alguns livros parecem já terem sido escritos com esse propósito, a exemplo dos de crônicas, contos e poemas. Nesta lista modesta (mas honesta!) você confere algumas dicas bem diversificadas de livros que servem muito bem para esse propósito.

O Gigante Enterrado é sobre todas as coisas

Eu estava por fora da hype. Meu primeiro contato com ele foi através de uma amiga. A Gabi Félix tinha os óculos mais legais da escola e foi ela que me apresentou uma das minhas séries favoritas, então eu confio no gosto dela. No dia seguinte em que a Gabi disse que queria ler “O Gigante Enterrado”, eu fui à livraria conhecê-lo ao vivo: Uma edição impecável, que encanta à primeira vista pela aparência, e já na primeira página pelo conteúdo. Comecei a ler ali mesmo, no café da livraria, e durante os dias que levei para terminar de lê-lo eu fui outra pessoa.

A ficção autobiográfica de Chico Buarque

“E eu que nunca morri de amores por aquele irmão, eu que o teria trocado por um irmão alemão sem pestanejar, passei a me inquietar com a ameaça de ficar sem irmão nenhum” (pág. 160) Chico Buarque escreveu sua autobiografia recheada de episódios ficcionais. Espécie de romance baseado em fatos reais, recortado pela descoberta e consequente busca de um suposto irmão bastardo nascido na Alemanha, permeado de história mundial e brasileira. E mais: “O Irmão Alemão”, o mais recente livro de Chico, apresenta aos seus leitores uma verdadeira declaração de amor aos livros: “Até então, para mim, paredes eram feitas de livros, sem o seu suporte desabariam casas como a minha, que até no banheiro e na cozinha tinha estantes do teto ao chão. E era nos livros que eu me escorava, desde muito pequeno, nos momentos de perigo real ou imaginário, como ainda hoje nas alturas grudo as costas na parede ao sentir vertigem. E quando não havia ninguém por perto, eu passava horas a andar de lado rente às estantes, sentia certo prazer em …

A Metaliteratura de Carola Saavedra

“Everything is autobiographical, and everything is a portrait, even if it´s only a chair” (Tudo é autobiográfico e tudo é um retrato, mesmo que seja apenas uma cadeira) Lucian Freud Fui apresentada a Carola Saavedra por “Flores Azuis”, seu terceiro livro publicado, que há um ano me fisgou durante uma visita à livraria. Mas ainda não consigo falar sobre ele – sua história e personagens, tudo ainda reverbera em mim, e é impossível escrever com clareza enquanto se desce ou sobe a crista de uma onda (embora seja durante este movimento que a inspiração me surge). Então, para não frustrar minha vontade de escrever sobre a autora, vamos falar de “O inventário das coisas ausentes”, meu segundo contato com ela. Há algo na escrita de Carola que me prende e influencia – tanto que é impossível não usar a primeira pessoa quando falo de sua obra. Grande parte deste “algo” fica por conta dos personagens; peculiares e tão absurdamente bem construídos, é impossível não criar empatia por eles. Nina, por exemplo, que faz o tipo que tem lá …