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Livrinho de aeroporto

Terminada minha leitura de “Nu, de Botas”, eu estava ávida para ler os comentários de outros leitores, então fui até o Goodreads. Poderia dizer que todos eles, sem exceção, exultavam as qualidades do livro de Antonio Prata, se não fosse por um dito cujo que dizia: “livrinho de aeroporto, muito ruim”. De fato, foi o comentário mais verdadeiro de todos, se considerado apenas o pré-vírgula. “Nu, de botas” é mesmo um livrinho de aeroporto. No diminutivo por ser curto demais para algo tão divertido, e “de aeroporto” por ser capaz de capturar a atenção mesmo num lugar tão barulhento. Anúncios

“Tarde demais pra morrer jovem”

O protagonista de “Até o dia em que o cão morreu” é um homem sem nome nem rosto, pode ser qualquer um. Aos 25 anos, recém-formado em Letras, permanece dependente dos pais. Se precisasse justificar sua condição, diria que é reflexo de um mercado de trabalho injusto e nada acolhedor. Mas este homem, na verdade, está acomodado, em certa medida até satisfeito. Este homem sem nome é o retrato de parte de uma geração. “Permanecia uma hora inteira mergulhado dentro da banheira, escutando música, até a água ficar fria. E especialmente ali, dentro d’água, eu me sentia cansado. Velho, em certo sentido. No sentido de que era tarde demais pra morrer jovem”. (Pág. 91)