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Para a Flávia

Li “Cravos” de uma vez. Abri o livro, não li nada a respeito, nem a orelha, fui direto pro texto. Fui capturada, mas sem arroubo. Foi algo como o espontâneo e suave rodopio de Cyd Charisse que inicia o pas-de-deux com Fred Astaire, em The Bang Wagon. O texto é verdadeiramente uma dança, mesmo quando não faz referência a bailarinos e coreógrafos, aos nomes técnicos de passos, ao linóleo (referências estas que, pra mim, têm um sabor especial). Ler “Cravos” é como ver um palco cujo holofote acende e apaga em recantos alternados, ora com um solo, ora com uma composição de dois ou mais corpos. Anúncios