Todos os posts com a tag: Editora Record

“Felicidade para Humanos” – Afinal, o que é felicidade?

Lidar com situações onde é evidente a complexidade das relações humanas sempre é algo que chama atenção e traz alguns momentos reflexivos. Imagine ler sobre a busca por um relacionamento ideal acompanhado de um amigo que é nada mais nada menos uma inteligência artificial em desenvolvimento? O livro “Felicidade para humanos” apresenta a história da Jen, uma mulher de trinta e quatro anos que acabou de terminar um relacionamento, e a sua relação com o Aiden, um programa de computador que está sendo desenvolvido pela empresa onde ele trabalha. Recém solteira e passando por um dos momentos mais tristes da sua vida, Jean vai contar com apoio do seu programa de computador para seguir a sua vida. Anúncios

“O casal que mora ao lado” não convence

“As pessoas são capazes de qualquer coisa”, diz a capa do thriller policial da escritora canadense Shari Lapena. De fato, esta frase diz muito sobre o livro em questão. Publicado recentemente no Brasil pela Editora Record, “O casal que mora ao lado” parte do sequestro de uma bebê para abordar questões como a ganância e o egoísmo. Mas o que começa de forma promissora acaba se perdendo em meio a personagens mal justificados e situações forçadas. Uma pena. Compre o seu clicando aqui e ajude o Literasutra a crescer!

Precisamos falar sobre “O Filho Eterno”

É sempre um risco falar de maternidade e paternidade. Independente do conteúdo ou da forma, sempre paira no ar toda a carga de julgamentos morais que, apesar de recentes na História, parecem estar tão entranhados na nossa corporalidade, e às vezes é inevitável que eles se presentifiquem. Um livro como “O Filho Eterno”, de Cristóvão Tezza, faz com que essas fibras imaginárias se contorçam permanentemente, ao mesmo tempo gerando repulsa e atração no leitor. O livro de Tezza é daqueles em que se sofre a cada página, mas também é impossível parar. Não no sentido de um masoquismo vazio, mas porque é uma experiência rara a de se ver enlaçado por coisas que você não quer ouvir, e que talvez atinjam em algo parecido com seu âmago. O livro acaba de ser adaptado para os cinemas, com estréia prevista para o dia 30 de novembro, e a convite do Literasutra pude conferir o filme em primeira mão. “O Filho Eterno” é a história de um homem cujo filho tem síndrome de Down. O desvio do termo “pai” …

Uma Vela Para Deus

Deus está morto e Terry Eagleton é o detetive que, investigando o caso, chegou à conclusão de que [alerta de spoiler] não, não foi o Coronel Mostarda na sala de música com um castiçal. O título provocativo “A Morte de Deus na Cultura” faz uma alusão à famosa frase de Nietschi Niecthe Nietzsche, filósofo mais citado e mal interpretado por meninas de 16 anos no instagram e pintores frustrados que tentaram estabelecer o Terceiro Reich Alemão. O que me fez querer ler esse livro foi uma curiosidade um tanto cética quanto ao título: é impossível passar um dia sem ficar frustrada com algo que a bancada evangélica fez ou disse no congresso, da mesma forma que notícias sobre os conflitos entre grupos fundamentalistas religiosos no oriente médio não param de chegar. Como alguém pode afirmar que vivemos numa cultura sem religião? Já nas primeiras linhas do prefácio Eagleton esmaga meus questionamentos: “O leitor que considera a religião tediosa, irrelevante ou ofensiva não precisa se intimidar com meu título. Este livro fala menos de Deus que …

Para a Flávia

Li “Cravos” de uma vez. Abri o livro, não li nada a respeito, nem a orelha, fui direto pro texto. Fui capturada, mas sem arroubo. Foi algo como o espontâneo e suave rodopio de Cyd Charisse que inicia o pas-de-deux com Fred Astaire, em The Bang Wagon. O texto é verdadeiramente uma dança, mesmo quando não faz referência a bailarinos e coreógrafos, aos nomes técnicos de passos, ao linóleo (referências estas que, pra mim, têm um sabor especial). Ler “Cravos” é como ver um palco cujo holofote acende e apaga em recantos alternados, ora com um solo, ora com uma composição de dois ou mais corpos.

Pintor da vida alheia

Momentos ociosos servem para muitas coisas, principalmente para imaginar. Por exemplo: Durante uma viagem de ônibus, com a testa colada à janela, é muito comum que um passageiro se imagine levando a vida das pessoas que passam velozes do lado de fora. A verdade é que estamos constantemente tentando experimentar outras vidas (seja por meio das artes ou de uma compulsão desenfreada pelas redes sociais), independente destas possuírem a personagens reais ou fictícios. Sob esta ótica, “O Pintor de Memórias”, romance de estreia de Gwendolyn Womack, é um deleite para quem já se imaginou na pele de outra pessoa.

O ar que ele respira

Em “O ar que ele respira”, novo romance de Brittany C. Cherry, foi a vez de um casal adulto ter uma história tão intensa quanto às destinadas aos jovens adultos, protagonistas usuais dos livros de sucesso com o mesmo pano de fundo. O livro apresenta Elizabeth e Tristan, duas pessoas que lidam da maneira que podem com a maior dor de suas vidas. Elizabeth perdeu o marido e agora precisa ser forte por sua filha; Tristan, por outro lado, perdeu tanto a esposa quanto o filho. Enquanto Lizzie tem por quem ser forte e perseverante, Tristan não vê porquê seguir em frente com a vida e deixa de prestar atenção nas coisas que antes poderiam importar: sua reputação, sua aparência, seu estilo de vida.

Amor e Cromossomos

Ah, o amor! Aprendemos desde cedo que o amor supera tudo. No começo descobrimos que foi esse sentimento que fez com que a Bela superasse a questão bestial da fera e tornasse a vida humana de novo. A Jasmine e o Aladdin venceram o problema econômico, assim como a Cinderela. Além disso, vários outros filmes ao longo da nossa vida nos mostraram que o amor tudo pode. E amar dessa forma parece realmente incrível, não? Só que chega a maturidade, bem como a idade adulta, e nós percebemos que a vida não é uma comédia romântica e ficamos um pouco decepcionados com isso (principalmente com o fato de não termos uma trilha sonora ao fundo). Mas continuamos a ver filmes e a ler livros do gênero — bom, pelo menos eu gosto — por algum motivo que não sei explicar. Além disso, se a história for muito boa ainda tem a maldita ressaca literária. Enfim, o ponto que quero chegar é: na comédia romântica o amor supera tudo, mas até que ponto levar essa premissa para assuntos mais sérios …

A Pequena Guerreira: o livro que te inspira

Enquanto eu fazia maratona de Gilmore Girls na minha adolescência, Samia corria… Apesar da guerra, Samia corria. Corria de burca, de hijab, descalça ou de estômago vazio. Ela fazia musculação com garrafas de refrigerante cheias de areia e tijolos largados no canto da obra, corria pelo seu pai, seu amigo, seus sonhos e por todas as mulheres da Somália. O objetivo dela era através do esporte liderar a libertação das mulheres somalis da escravidão e foi por isso que ganhou o apelido de pequena guerreira. Sua história é impressionante. O romance baseado na vida da atleta é comovente e não fui capaz de me distanciar da história como muitos leitores profissionais fazem, chorei e tive até crise de ansiedade tentando imaginar o que eu faria se estivesse no lugar da menina. “A garotinha de dezessete anos magra feito um prego que vem de um país em guerra, sem um campo e sem um treinador, que luta com todas as suas forças e chega por último. Uma história perfeita para os espíritos ocidentais, entendi naquele dia.” O livro começa com ela ainda bem criança, …

As muitas Evas de Martha Mendonça

Sou uma apaixonada por crônicas e contos. Luis Fernando Veríssimo me ensinou a amar as histórias curtas que exalam vida quando eu tinha 15 anos e ganhei um exemplar de “As Comédias da Vida Privada”.  Lembro claramente da empolgação com as histórias – engraçadas e comoventes – ao mesmo tempo em que a já aspirante à jornalista ficava impressionada com a capacidade de falar tanto em tão poucas palavras. Como aqueles personagens, que às vezes nem tinham nome, pareciam tão reais, tão palpáveis? Martha Mendonça, jornalista, uma das cabeças por trás do site Sensacionalista, do novo Zorra (TV Globo) e autora de outros três livros pela Editora Record, mostra em seu “Filhas de Eva” tudo aquilo que vi em Veríssimo. Um domínio impressionante da linguagem, humor afiado, mas também um enorme coração em cada personagem que passa pelas páginas. Cada conto tem um adjetivo para a mulher que será personagem principal. Elas, no entanto, são mais do que apenas estereótipos que costumamos ver/ler ao se falar de mulher.