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O poder das preliminares

“Os Invernos da Ilha”, romance de estreia de Rodrigo Duarte Garcia, é um livro de aventura com direito a tesouro de pirata e duelo de sabre, mas sobretudo sobre aquela busca incessante e interminável pelo sentido da vida. Sua excelente narrativa, conduzida por personagens muito bem desenvolvidos, faz o autor ultrapassar a classificação de apenas “promissor”; Rodrigo merece ser lido. Anúncios

O livro que você precisa ler

Algumas coisas são decisivas para identificar se um livro é realmente bom; aquela linha fina que separa algo satisfatório de uma obra relevante, com força suficiente para chacoalhar e causar uma imersão incondicional na história que nos é narrada. “Distância de Resgate”, romance de estreia da argentina Samanta Schweblin, felizmente pertence à segunda categoria e já tem lugar confirmado na minha lista de preferidos. Compre pelo melhor preço clicando aqui!

No final tudo acaba em pizza e pau de selfie

Em seu novo livro, “Uma Selfie com Lenin”, Fernando Molica fala de amor e política. Afinal, seu personagem principal é um jornalista de meia idade que está fugindo do Rio de Janeiro após uma confusão na assessoria de políticos para a qual trabalhava. Por isso a história se passa através de uma carta que ele está escrevendo para Eloísa, sua ex-namorada e ex-chefe. Ao tentar relatar todo o mal entendido que o fez embarcar num avião para bem longe do Brasil, o personagem faz uma reflexão de toda sua trajetória de vida. Desde quando era um jornalista mal pago e cheio de ideologias até o momento da história, rico e completamente destruído. “Foi graças a você quem vim parar aqui, que posso estar aqui. Se não fosse você, eu estaria aí, fazendo minhas matérias, enchendo seus clientes de porrada, ajudando você a manter o faturamento de sua empresa.”

Para ler caminhando na esteira

Desde “O Filho Eterno”, romance maravilhoso que fala sobretudo da vida, Cristovão Tezza se tornou um dos meus autores preferidos, e para isso me bastou um livro. Mas a vida surpreende, e neste mês me veio, como que de bandeja, a oportunidade de ler “A Máquina de Caminhar”, seu livro de crônicas. Abracei a oportunidade sem receio e não me decepcionei: Tezza é mesmo mestre em captar — e retratar — a essência das coisas. 

4 livros para intercalar com outras leituras

Intercalar leituras é o segredo do leitor bem sucedido: dá aquela melhorada básica na memória, aumenta o ritmo de leitura e diverte, como diverte! Alguns livros parecem já terem sido escritos com esse propósito, a exemplo dos de crônicas, contos e poemas. Nesta lista modesta (mas honesta!) você confere algumas dicas bem diversificadas de livros que servem muito bem para esse propósito.

Uma vaca em jornada rumo à Índia

“Holy Cow: Uma Fábula Animal”, a princípio, tem tudo o que precisa para ser um bom livro. Uma premissa promissora, um início empolgante e uma protagonista muito divertida e com voz própria. Mas concisão é uma arte, e David Duchovny definitivamente não a domina. O autor, mais conhecido pelo seu papel em Arquivo X, tinha dois caminhos a tomar: simplificar sua ideia para um conto muito bom, ou desenvolvê-la em uma história maior. Ele escolheu a segunda opção e acabou ficando perdido.

Um mundo sem Sherlock Holmes

Se eu tivesse que descrever o livro em uma palavra, esta palavra seria “reviravolta”. O que não é nada de novo em se tratando de um livro policial. Mas é que a reviravolta ultrapassou a metalinguagem e veio até mim, que começou a ler “Moriarty” achando o livro bobo e que com certeza já tinha lido inúmeros livros de mistérios melhores. Só que a história realmente me surpreendeu e acabou sendo diferente e muito boa. Não estou comparando o autor com os mestres do gênero, mas não fica tão aquém. Então, Sherlock Holmes morreu e agora o que acontece? Criminosos esbanjam confiança na ausência do inspetor, a polícia não sabe nem por onde começar e outros investigadores passam a se dividir em dois grupos: os que acham a morte de Holmes uma chance para brilhar e aqueles que pensam na perda total; da pessoa que ele era e de suas visões brilhantes sobre um fato. A história em si é muito palpável, o personagem que nos conta os acontecimentos, Chase, muitas vezes não percebe uma …

A veracidade típica do que é bem escrito

“Antes que Seque” já começa a contar histórias desde a capa: Esse diálogo entre título e imagem (um útero esculpido com flores) que captura o olhar e faz a imaginação entrar em cena. Estreia de Marta Barcellos, vencedora do Prêmio SESC de Literatura 2015 na categoria contos, o livro reúne histórias de mulheres com um ponto de partida em comum: a maternidade e tudo o que a cerca. Histórias que, mesmo que fictícias, carregam aquela carga de veracidade típica do que é bem escrito.

A distopia da vida real

Em um microcosmo cíclico e imutável, um grupo de jovens e adolescentes tenta a sobrevivência. Vestidos em uniformes que os iguala a ponto de os transformar quase na mesma pessoa, eles trabalham dia após dia com um único objetivo: seguir o Padrão. O Padrão tem regras claras, diretas e o mais importante de tudo para o sistema: imutáveis. Parece ficção científica, mas é a estreia de Henrique Rodrigues no mundo dos romances. “O Próximo da Fila” é um retrato da grande distopia que é a vida real: “Eu sou gado, todo mundo aqui é gado, essa é minha vida. Eu sou cem por cento carne bovina.” Com contornos autobiográficos, o livro conta a história de um adolescente que, após a morte do pai, recorre a um emprego numa rede de fast-food para ajudar na renda da família. Sua narrativa cativante, onde o humor é bem dosado e a linguagem é fluida, faz da obra uma leitura rápida e prazerosa, mas não somente isso: O livro traz aqueles personagens sobre os quais normalmente não se fala; pessoas geralmente invisíveis na …