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Duas adaptações para Dois Irmãos: Entrevista com Milton Hatoum

Yaqub e Omar, gêmeos protagonistas de uma vida de rivalidades: eis o plot de “Dois Irmãos”. Vencedor de um prêmio Jabuti e pai de duas adaptações, o romance de Milton Hatoum foi lançado há 17 anos e hoje é considerado um clássico da literatura brasileira. Em entrevista exclusiva ao Literasutra, o autor comentou sobre a minissérie dirigida por Luiz Fernando Carvalho e exibida recentemente na TV Globo: “Para mim ela foi um filme de arte na tevê, um filme longuíssimo, esteticamente ousado, com uma forte dimensão dramática e histórica”. Esta não foi a primeira vez que o livro inspirou outras obras. Em 2015, assinado por Fabio Moon e Gabriel Bá, “Dois Irmãos” gerou uma HQ ganhadora de 2 prêmios na categoria  de “melhor adaptação de outros meios”; mesmo assim, Hatoum corrige: “O mais correto seria chamar estas adaptações de ‘reinvenções em outras linguagens’. Eles desenvolveram um estilo, uma forma de narrar muito pessoal. Buscaram isso em obras muito sofisticadas. Por exemplo, o livro em quadrinhos Daytripper (de Fabio Moon e Gabriel Bá) e o filme Lavoura Arcaica (de Luiz Fernando Carvalho) são exemplos notáveis”. “O mais …

A besteira de achar HQs uma besteira

Fica você com Bukowski e eu com Stan Lee. Houve uma pequena versão do que eu sou hoje, no longínquo ano de 2002, que participou de uma cena digna de filme do Spielberg. Foi um daqueles momentos onde o jovem protagonista desajustado (podem reparar o padrão) entra em algum lugar que muda sua vida inteira. Para alguns é um sotão que guarda o mapa de um tesouro pirata, para outros uma estação de trem no meio do nada onde acontece um descarrilhamento imenso. Minha história aconteceu num quarto, mas nem por isso é menos grandiosa. Era uma vez um Bruno de 12 anos de idade que, num belo dia de Sol, resolveu invadir a até então Área 51 que era o quarto de seu primo. Se você acha que essa história vai ser sobre a descoberta da pornografia, que infância terrível deve ter sido a sua. Sério mesmo, o que tem de errado com você? EU TINHA DOZE ANOS. Pornografia a gente conhece bem antes. O fato é que embora o sentimento seja um pouco …

Um reflexo para Charlie Brown

Só alguém inundado em emoção consegue unir inocência e realismo com profundidade na mesma arte. E não há ingrediente melhor para uma imersão sentimental do que a solidão, ou há? Esse foi o caso de Charles M. Schulz. Quando criança, era do tipo esquisitão, que afasta os outros: extremamente tímido, sem autoestima, cheio de espinhas e mirrado demais para praticar qualquer esporte. Sparky, como era conhecido, ia mal em todas as matérias, sofria com a opressão de seus professores e não conseguia falar quando estava perto de alguma garota. Um desastre completo, que colecionava frustrações. O garoto só se sentia bem quando refugiado na acolhedora escuridão das salas de cinema, ou quando entretido pelos quadrinhos de jornal, entre eles “Popeye” e “Turbinho”, sucessos da década de 30. Felizmente, não demorou muito para Sparky tentar seus próprios rabiscos e descobrir que da paixão nascia vocação. E foi dos lápis desta figura extremamente icônica que em 2 de outubro de 1950 nasceram os Peanuts (também conhecidos no Brasil como “Minduim”), uma série de tirinhas protagonizadas pelo bom e velho Charlie …

MonoLAB: Pequenas doses mensais de arte

Adepta das doses homeopáticas, a editora Monotipia (responsável pela revista online de mesmo nome) acaba de criar o MonoLAB: uma série de quadrinhos autorais e inéditos que qualquer pessoa pode ler de graça. Serão várias HQs, cada uma com um total de 28 páginas, publicadas aos poucos nas edições da revista (que vai ao ar às segundas segundas-feira de todo mês). “A Monotipia sempre esteve e sempre estará aberta para novos autores”, explica Martins de Castro, editor da revista, em entrevista concedida ao Terra Zero. “Mas, ainda em 2012, senti a necessidade de ter mais trabalhos autorais com mais frequência. Desde então foram quatro anos observando e experimentando, e agora finalmente cheguei ao formato que julgo ser o mais adequado para a leitura de quadrinhos na Monotipia: Via streaming, com um formato de tela confortável e cuja produção não atrapalhe os outros projetos dos autores”, ele conta. Serão várias “rodadas” de histórias, digamos assim. Nesta primeira estão “Jihanki Battle”, de Rodrigo Solsona, “Violeta Genciana”, de Murilo Souza e “Tamasha e o fim do mundo”, de Octávio Aragão (roteiro) e Mika …