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“O casal que mora ao lado” não convence

“As pessoas são capazes de qualquer coisa”, diz a capa do thriller policial da escritora canadense Shari Lapena. De fato, esta frase diz muito sobre o livro em questão. Publicado recentemente no Brasil pela Editora Record, “O casal que mora ao lado” parte do sequestro de uma bebê para abordar questões como a ganância e o egoísmo. Mas o que começa de forma promissora acaba se perdendo em meio a personagens mal justificados e situações forçadas. Uma pena. Compre o seu clicando aqui e ajude o Literasutra a crescer! Anúncios

No meio dessa briga tem um Nietzsche

Se em “Romeu e Julieta” e “Abril Despedaçado” as mortes causadas pelas rixas familiares ficam por isso mesmo, em “Que fim levou Juliana Klein?” elas são investigadas. Não por acaso, seu título é uma pergunta bem direta. Afinal, ao contrário das histórias de Shakespeare e Ismail Kadare (respectivamente), o romance policial de Marcos Peres é ambientado numa Curitiba do século XXI e conduzido pelo olhar do delegado Irineu de Freitas. Marcos Peres, o autor, que em 2013 venceu o Prêmio Sesc de Literatura com “O Evangelho Segundo Hitler”, desta vez usou um aforismo de Nietzsche como inspiração. Alternando-se em 3 momentos temporais diferentes (2005, 2008 e 2011) e com uma rixa familiar no pano de fundo da história, Marcos aborda a nocividade das crenças cegas – que, aliás, nem sempre são religiosas. Juliana Klein, a grande motivadora do título do livro, é mais que especialista no filósofo alemão: ela chega a ser obcecada.

Uma casa muito engraçada, sem teto, sem nada

“Terra de Casas Vazias” surgiu na minha vida com a intensidade do que é comprado por impulso. Relativamente curto, durando de dois a três dias de leitura (para alguém que só lê antes de dormir), sua narrativa é extremamente sedutora. Mais voltado aos aspectos psicológicos dos personagens que aos acontecimentos ao seu redor, o livro te pega de jeito e lá se vai, eternamente responsável por mais um leitor que cativa. Trata-se do quarto romance de André de Leones, autor brasileiro nascido em Goiânia. Segundo ele, até agora este foi o livro que mais lhe deu trabalho para escrever, mas que ao mesmo tempo foi o que mais lhe rendeu respostas positivas. Obviamente não sem motivo: “Terra de Casas Vazias” é uma obra consistente, com boa trama e personagens muito bem construídos: complexos, cheios de nuances e particularidades.  “Foi até o quarto da mãe, que, estirada na cama, assistia ao telejornal, e disse: – O gás está vazando. O gás está vazando e vamos todos morrer. Isadora olhou para ela, como se suspirasse e dissesse “Marcela..” e depois suspirou e disse: – …

Estímulo para escritores reticentes

“A verdade sobre o caso Harry Quebert”, do suíço Jöel Dicker, foi lançado no Brasil recentemente. A contracapa da edição brasileira e suas duas páginas iniciais estão recheadas de elogios publicados na imprensa, e a avaliação nas redes sociais – lê-se Goodreads e Skoob – passa das 3 e 4 estrelinhas, respectivamente. Bem, eu gostei do livro. Já o vinha namorando há um tempo nas prateleiras por causa da capa, que não sei porque me conquistou. Mas o que me fez gostar mesmo dele foi outra coisa: Ele é o estímulo perfeito para escritores reticentes como eu. E só não digo que ‘me serviu como uma luva’ porque luvas nunca me serviram muito bem.